As diárias pagas pela Prefeitura de Belo Horizonte por internações de pacientes com Covid-19 em UTI superaram R$ 10,4 milhões apenas em junho. Para se ter uma ideia, só no dia 30 foram R$ 479,4 mil destinados a essas hospitaliza-ções. Durante todo o mês, foram 6.139 diárias – cada uma custando pelo menos R$ 1,7 mil –, em unidades de saúde conveniadas e da rede própria do Executivo municipal.

Nesse mesmo período, conforme o Hoje em Dia mostrou na edição de 2 julho, a ocupação dos leitos de terapia intensiva públicos mais do que dobrou. O aumento considerável, causado pela gravidade do estado de saúde dos doentes, também tem mantido a taxa de ocupação em torno de 87%. Ontem, no entanto, chegou a 91%. Para evitar o colapso, o poder público de BH tenta captar leitos em hospitais particulares.

E, por conta disso, as despesas com diárias vão aumentar. Desde sexta-feira, o valor pago a cada 24 horas que uma pessoa permanece na UTI passou para R$ 2,3 mil. O acréscimo é para equiparar ao montante a ser pago aos hospitais privados que se candidatarem ao chamamento público feito pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), para a contratação de vagas disponíveis, explicou o titular da pasta, Jackson Machado.

O processo seletivo simplificado inédito, publicado no Diário Oficial do Município (DOM) na última quinta-feira, identificou 15 unidades de saúde particulares com disponibilidade de UTI adulto. A Unimed, por exemplo, é listada com dois centros médicos. Procurada, a empresa não informou se tem interesse em participar do certame.

O novo valor é o mínimo a ser repassado. “Na soma também entram os gastos a mais que a contratada pode ter com o paciente”, frisa o secretário.

Ainda não acabou

Vale ressaltar que os custos com pacientes diagnosticados com Covid-19, e que evoluíram para quadros mais graves da doença, não param por aí.

Após a internação numa UTI, que em média tem durado 11 dias, a pessoa ainda pode ser levada para a enfermaria, para continuar recebendo os cuidados necessários até a alta médica. A permanência no leito clínico, em média, é de sete dias.

Geral

Até o momento, as ações da prefeitura de combate à pandemia na metrópole, na área da saúde, giram em torno de R$ 150 milhões ao todo, com ativação e manutenção de leitos hospitalares e compra de medicamentos e equipamentos.
Desse montante, R$ 111 milhões vieram do governo federal. Ainda segundo Jackson Machado, o Estado fez repasses de pouco mais de R$ 686 mil.

Em relação à verba destinada pela própria prefeitura, o secretário diz ser direcionada para complementar valores repassados pela União. O adicional, segundo ele, não seria considerável.

UTI para Covid custa à PBH R$ 10,4 milhões em um mês

Leia também:
Falta de vagas de leitos de UTI preocupa e situação pode se agravar
Taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 em BH bate recorde e ultrapassa 90%
Bolsonaro sanciona MP que criou programa de manutenção do emprego
Realizadores de festa em Uberlândia poderão pagar R$ 30 mil por danos coletivos