Pacientes com Covid-19 em estado grave mais que dobraram em Belo Horizonte em apenas um mês. Em 30 de maio, eram 118 pessoas internadas em UTIs da rede pública na cidade. No último dia de junho, porém, o número saltou para 282 – um aumento de 138%. Mesmo com incremento de 50% nas vagas de terapia intensiva, especialistas alertam que a tendência é de a capacidade total ser atingida nos próximos dias.

Essa é a conclusão do Conselho Municipal de Saúde, reunido em plenária on-line de 24 de junho até ontem. “O SUS (Sistema Único de Saúde) da capital já está colapsado em algumas partes, ou seja, não está funcionando como tem que funcionar. No último fim de semana, a espera de pacientes na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Barreiro por uma vaga de UTI mostrou que a ocupação chegou a 100%”, frisou o médico Bruno Pedralva, um dos diretores do conselho.

Abrir mais vagas de internações, inclusive com o poder público assumindo leitos na rede privada, como sinalizou o prefeito Alexandre Kalil na última terça-feira, é urgente, observa Pedralva. A ampliação, porém, esbarra em gargalos.

A falta de respiradores é um deles. Com capacidade para oferecer mais 20 vagas de UTI para pacientes com Covid-19, a Santa Casa de BH precisa dos equipamentos para expandir a assistência. Até ontem, todos os 80 leitos destinados para esses atendimentos estavam ocupados.

“O Sistema de Saúde de BH está colapsado em algumas partes. Se continuar assim, em três semanas vamos viver o caos em BH. Vai morrer gente sem assistência” 
Bruno Pedralva - Médico e diretor do Conselho Municipal de Saúde

Os 1.047 aparelhos adquiridos pelo governo do Estado também não chegaram em sua totalidade. Durante pronunciamento nesta quarta-feira, o chefe do Executivo mineiro, Romeu Zema, informou ter recebido 400, distribuídos para os municípios de acordo com a necessidade. 

Na capital, outros hospitais que oferecem terapia intensiva também estão quase no limite. Referência em atendimento a doenças infecciosas, o Hospital Eduardo de Menezes está com 90% dos 36 leitos de terapia intensiva com doentes. O índice é o mesmo no Júlia Kubitschek, que dispõe de 26 vagas específicas para coronavírus.

Profissionais

Mão de obra especializada é outro entrave para a ampliação das vagas. Esse foi um dos pontos tratados em uma carta divulgada e assinada por 28 médicos e sete enfermeiros coordenadores de unidades intensivas de hospitais públicos e privados da capital, que alertaram a população sobre a necessidade de reforçar o isolamento social. Segundo eles, os casos graves quadruplicaram entre o início de maio e fim de junho.

O documento chamou a atenção para a falta de vagas na terapia intensiva da rede pública registrada nesta semana. Mas, “mesmo se houver ventiladores, medicamentos (que continuam em falta) e demais equipamentos em quantidade suficiente para transformar enfermarias e salas de cirurgia em UTIs, não há número suficiente de profissionais treinados para lidar com (esses) pacientes muito graves”.

Procurada para comentar sobre a negociação de leitos com hospitais particulares, a PBH informou que a demanda estava em apuração.

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