Sete a cada dez casos de Covid-19 em Belo Horizonte foram confirmados após a reabertura do comércio. Em um mês, 3.575 doentes foram atestados na capital. Os cuidados para evitar a proliferação do vírus são constantes por parte dos lojistas, mas o cenário de mais pessoas nas ruas tem favorecido o avanço da doença.

O aumento das notificações será um dos fatores analisados pela prefeitura para manter ou recuar na liberação de atividades econômicas na cidade. O anúncio será feito hoje pelo Comitê de Enfrentamento à pandemia. A possibilidade de permitir a retomada de mais setores já foi praticamente descartada pelo prefeito Alexandre Kalil.

Em 25 de maio, quando foi dada a autorização de funcionamento às lojas “não essenciais”, BH tinha 1.402 diagnósticos positivos para o novo coronavírus, conforme balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Ontem, as notificações já estavam em 4.977.

As mortes na metrópole seguem a mesma evolução. Das 118 vidas perdidas, 76 foram confirmadas após a flexibilização do isolamento social. Há um mês, a capital somava 42 óbitos por Covid-19. Ou seja, as mortes mais que dobraram desde a retomada do comércio.

“Em março, o secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado, já havia nos falado que em junho os casos iriam aumentar. Ele disse que conseguiria 2.500 leitos, e temos um hospital de campanha pronto. Deveria haver uma tratativa da PBH com o Estado para abrir esse hospital”

Marcelo de Souza e Silva - Presidente da CDL/BH

Critérios

Além do número de casos, os novos passos da flexibilização em Belo Horizonte levarão em conta a utilização dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O último balanço apontava uma ocupação de 85%.

O infectologista Sidnei Rodrigues defende o fechamento de todos os serviços não-essenciais por três a quatro semanas: “Belo Horizonte e a região metropolitana têm a maioria dos leitos de UTI e de enfermaria para Covid-19 ocupados. Talvez este seja um momento de fechar os serviços não-essenciais, para evitar o colapso do sistema de saúde. Se a gente não conseguir fazer isso, teremos grande risco de que o sistema de saúde, não só o público, mas também o privado, entre em colapso”.

Procurada, a PBH informou que só se manifestará hoje, durante entrevista coletiva para tratar da flexibilização na capital.

Cuidados

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, frisa que a culpa pelo aumento de casos de Covid-19 na capital não é do comércio. Ele afirma que o setor tem seguido todos os protocolos para evitar a disseminação do novo coronavírus e cita como exemplo levantamento feito pela entidade com três redes de supermercados e uma rede de drogarias, que somam 25 mil funcionários e nenhum deles contaminado.

Como parte da estratégia de enfrentamento à doença na capital, a CDL/BH e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) começaram a instalar ontem 50 totens de álcool em gel em 14 estações do sistema Move de transporte.

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