A partir desta quarta-feira (24), o metrô só circula em Belo Horizonte nos horários de pico. O transporte dos passageiros foi limitado das 5h30 às 10h e das 16h às 20h. A redução da escala foi solicitada pelos metroviários e aceita pela Justiça do Trabalho.

Alguns passageiros não sabiam da mudança e foram pegos de surpresa. Caso da estudante de Educação Física Luciene Caetano, que foi para o Centro pelo modal, mas, na volta, encontrou a estação fechada. "Não sabia. Até então, falaram que iria funcionar até 20h. Agora vou ter que olhar qual ônibus pegar. Sem o metrô, acho que minha viagem de volta vai aumentar uns 45 minutos", disse.

Diretora do Sindicato dos Metroviários de BH (Sindimetro), Alda Lúcia Fernandes dos Santos explicou que, com a redução dos trens, a categoria quer salvar vidas e diminuir a proliferação do novo coronavírus. "A intenção é transportar trabalhadores de serviços essenciais, que são fundamentais para o funcionamento da cidade. Mas pedimos que a população fique em casa".

Conforme Alda, mesmo com a pandemia, os vagões circulam cheios, o que representa perigo tanto para os funcionários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) quanto para os usuários. Além disso, ela denuncia que as estações e os trens não estavam sendo higienizados constantemente. 

"Com a falta de limpeza adequada, os metroviários ficaram inseguros. Propomos uma escala e revezamento para evitar aglomeração, mas a CBTU não aceitou. Por isso, fizemos assembleia e optamos pela redução", explicou.

A intenção dos sindicalistas era que os trens circulassem das 6h e 9h e de 16h30 às 20h. A CBTU entrou com ação da Justiça para garantir o funcionamento das 5h40 às 20h. No entanto, o desembargador Fernando Rios Neto, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), acatou em parte a solicitação dos metroviários e reduziu o horário.

Na decisão, que segundo o sindicato está sendo cumprida pela categoria, o desembargador determinou que 100% da frota rode das 5h30 às 10h e das 16h às 20h. Ainda de acordo com a liminar, deverá ser assegurada a manutenção integral dos serviços do centro de controle operacional, desde a preparação até o recolhimento dos trens.

A reportagem entrou em contato com a CBTU e aguarda resposta sobre a denuncia de falta de higienização nas estações. 

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