A prefeitura iniciou, desde a última segunda-feira (25), o processo de reabertura do comércio em Belo Horizonte. Uma das bandeiras para a volta à normalidade foi a eficácia do combate à disseminação do novo coronavírus. E com a abertura, o isolamento despencou na capital. A reportagem do Hoje em Dia foi às ruas do Centro da capital para verificar como foi o primeiro sábado de comércio reaberto. E o que se viu foi aglomeração e muita gente desobedecendo as medidas protetivas.

Nas lojas, comerciantes evitavam falar sobre a reabertura. Nem mesmo quiseram comentar se o movimento melhorou ou piorou. Muitos estabelecimentos mantiveram seguranças na porta para ordenar o acesso ao interior do estabelecimento. No entanto, no meio era só  aglomeração e muitas pessoas sem máscara, desrespeitando as recomendações sanitárias. 

Shopping Oiapoque 

No Shopping Oiapoque, a fila na entrada do estabelecimento chamou atenção. No entanto, o administração da galeria adotou medidas de controle para permitir a entrada dos consumidores. Todos eram aferidos com termômetros e higienização com álcool em gel. O uso da máscara se tornou obrigatório, e quem não tivesse com o equipamento de segurança recebia uma máscara na porta.  

Shopping Oiapoque

Lá dentro, o movimento era grande, mas o acesso era restrito a cerca de 500 pessoas, que precisaram retirar senha para entrar. E para evitar aglomeração foi adotado uma rota em mão única, assim como sinalização de distância entre os consumidores.

Arrependimento

Se nos shopping populares a obediências às recomendações de saúde eram obrigatória, no meio da rua cada um adotava a medida de acordo com sua convicção. Moradora do bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, Eliane Fernandes foi até o Centro com a filha Júlia e ficou estarrecida com o comportamento da população.

Consumidora no centro de BH

"Precisei sair, mas me arrependi. Ainda mais porque vim com minha filha. As pessoas não estão cumprindo com as medidas de segurança, muita gente sem máscara, aglomeração. Acredito que a prefeitura voltará a fechar o comércio, pois falta comprometimento da população", afirma Eliane, que diz que no Jardim Canadá boa parte dos moradores também negligenciam as recomendações.

Segunda onda

Vale lembrar que, desde segunda-feira (25), quando a prefeitura iniciou o processo de reabertura, a taxa de transmissão saltou de 1,1 para 1,24 na sexta-feira (29). A elevação do índice R0 (que mensura para quantas pessoas um indivíduo pode transmitir a doença) fez com que a prefeitura ligasse o alerta. “A velocidade da transmissão está aumentando progressivamente. Na Grande BH, a epidemia está em franca ascensão”, afirmou na coletiva o infectologista Carlos Starling, integrante do Comitê de Enfrentamento, que também explica que, por hora, a situação é estável.

O aumento da taxa de contágio obrigou a prefeitura a interromper a flexibilização, mas permitiu que os estabelecimentos autorizados continuassem abertos. “Vamos vir aqui toda sexta-feira, e espero não vir na próxima determinar o lockdown”, afirmou o prefeito Alexandre Kalil, durante entrevista coletiva na última sexta-feira (29).