A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) apresentou nesta quinta-feira (28) uma nova previsão de pico para a epidemia de Covid-19. Observando apenas o comportamento da doença no Estado, a estimativa é de que o pico aconteça em meados de julho, tendo de 2 mil a 3 mil casos em um único dia.

A estimativa anterior era de que o pico aconteceria no dia 10 de junho, mas a partir de uma metodologia diferente – relacionando o número de casos no Estado e comparando com o comportamento da epidemia em nível nacional. Ao observar apenas os dados relativos a Minas Gerais, que possui número de casos mais baixo do que outros Estados, a previsão de um estresse no sistema de saúde é projetado para o mês seguinte.

De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, as previsões foram mudando desde o início da pandemia, devido à adesão da população mineira às recomendações de isolamento social. Em março, a projeção era que o pico da epidemia teria 14 mil casos em um único dia.

A confirmação da estimativa depende da manutenção das medidas de isolamento e da adesão das prefeituras ao programa desenvolvido pelo Estado para coordenar as medidas de reativação da economia, de acordo com o secretário.

“Se os municípios aderirem ao Minas Consciente, a tendência será ter essa projeção. Se por ventura tivermos uma diferença muito grande em relação ao Minas Consciente, poderemos ter uma mudança em relação a essa projeção”, afirmou Amaral, durante coletiva.

O secretário, que no dia anterior afirmou que os novos casos poderiam dobrar diariamente, disse que houve um erro de interpretação em sua fala. Segundo ele, pelo comportamento da epidemia atualmente no Estado, é “pouco provável que o número dobre a cada dia”.

Ele explicou ainda que o número de casos confirmados no Estado tem dobrado a cada 12 ou 14 dias – um dado que mostra controle sobre a epidemia, já que este é o tempo médio de incubação da doença. O Estado entrará em alerta quando essa dobra no número de casos acontecer próximo a sete dias, o que indicaria um crescimento exponencial – não houve tempo para que os infectados inicialmente se curassem antes que mais pessoas procurassem os hospitais.

“Se o número dobrar, num período maior do que 14 dias, tende a mantermos ou reduzirmos a aceleração da doença. Num período inferior a isso, seria acelerar o crescimento da doença”, explicou.

Medidas mais duras

O secretário alertou que as medidas de distanciamento social (como usar máscaras, higienizar as mãos, evitar aglomerações) são fundamentais para que a epidemia seja mantida sob controle no Estado. Caso a população relaxe nos cuidados, o Governo poderá tomar medidas mais duras para evitar a transmissão do novo coronavírus.

“Caso tenha grande aumento nos casos, vamos retornar as ondas em relação ao que temos hoje, até retornar à onda verde, que é o momento inicial que tivemos no Estado. Caso ainda haja uma piora grande, teremos que aumentar ainda mais o isolamento, algo próximo do lock down”, afirmou o secretário.

As ondas a que Amaral se refere são os grupos de atividades econômicas permitidos para cada região mineira presente no programa Minas Consciente, de  controle regional da doença. Onde ainda há muitos casos, como nas regiões Metropolitana e Sul, a orientação é de permanência na onda verde, onde estão os serviços essenciais. Algumas regiões já migraram para a onda branca (permite parte do comércio considerado de baixo risco) e outras já puderam, nesta semana, migrar para a onda amarela.

Até o momento, 87 municípios mineiros aderiram formalmente ao Minas Consciente e estão regulamentando o isolamento social conforme as orientações do Governo.

Leia mais:
Em novo recorde, Minas confirma 675 casos de Covid em apenas 24 horas
Ruim, mas estaria pior: Minas perde quase 90 mil vagas em abril; acordos evitaram déficit bem maior