Diferentemente do senso comum, os atletas não são mais resistentes às complicações da Covid-19 do que a população em geral. Pelo contrário. Um artigo assinado por professores e alunos da UFMG indicou que os esportistas profissionais são mais propensos a infecções respiratórias e, por isso, devem ser orientados a evitar esforços pesados durante a pandemia e a redobrar cuidados para não contrair a doença.

O texto “O adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020 foi uma decisão correta?”, publicado neste mês pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, mostrou que foi acertado o adiamento das Olimpíadas 2020 porque há um grande risco para os atletas de alta performance apresentarem sintomas graves, caso sejam infectados pelo novo coronavírus. O artigo foi desenvolvido por professores e estudantes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG, além de especialistas do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

“Embora normalmente pareça que os atletas estão em boa forma e são saudáveis, isso pode não ser verdade. O sistema imunológico, que protege o organismo de microrganismos invasores, pode ser afetado pela quantidade e qualidade do sono, assim como pela prática de exercício físico que influencia a qualidade da resposta imunológica”, diz o artigo.

Durante uma Olimpíada, o risco seria ainda maior para os atletas, pois as primeiras 72 horas pós-esforço formam a chamada janela imunológica, quando a pessoa está com as vias aéreas mais abertas, deixando as mucosas das vias respiratórias ficam fragilizadas e expostas.

“Atletas são constantemente expostos a treinamento rigoroso, estresse e pressão psicológica para se manterem competitivos, fatores suficientes para reduzir sua imunidade”, dizem os pesquisadores. No caso de atletas paraolímpicos, os riscos são ainda maiores. No grupo de maior risco, estão, como salienta o artigo, atletas com doenças neurológicas mais graves, principalmente os tetraplégicos, aqueles com paralisia cerebral mais grave e com doenças neurológicas degenerativas, entre outros.

A pesquisa ressalta ainda que os exercícios físicos são importantes para todos os seres humanos, mas neste momento deve-se evitar uma maior intensidade nos treinos.

Desde o início da epidemia, vários atletas e ex-esportistas morreram. Entre eles, o ex-meio-fundista italiano Donato Sabia, aos 56 anos; o ex-jogador de futebol Goyo Benito, aos 73 anos; o jogador de beisebol Cody Lister, aos 21 anos; e o ex-jogador de futsal brasileiro Alex Barbosa Pereira, o Leco, que tinha 45 anos.

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