Cerca de cem trabalhadores do Hospital Júlia Kubitschek, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, paralisaram as atividades nesta segunda-feira (27). A manifestação teve início às 8h e estava prevista para acabar só 14h.  O trânsito chegou a ser fechado por alguns minutos em frente à unidade.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), 70% dos profissionais aderiram ao movimento. Os servidores fazem uma série de reivindicações. Dentre elas, a escassez e a má qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Nesta segunda, o Hoje em Dia mostrou que a ausência de EPIs preocupa profissionais em unidades de saúde públicas e privadas. Em Minas, as queixas aumentaram 30% em apenas uma semana, indo de 191 em 17 de abril para 250 até a última quinta-feira. Os dados são do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

No caso do Júlia Kubitschek, os servidores também buscam o afastamento dos trabalhadores do grupo de risco sem que eles tenham perdas salariais. Há ainda solicitações sobre a extensão de gratificação emergencial (concedida a médicos no período da atual pandemia) e representatividade no Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde da Covid-19.

Atualmente, a unidade é retaguarda do Hospital Eduardo de Menezes, referência em infectologia e que, desde 24 de março, presta assistência exclusivamente a pacientes com Covid-19.

O Sind-Saúde disse que movimento foi feito de forma revezada entre os trabalhadores para evitar aglomerações e não atrapalhar o atendimento no hospital.

Resposta
O Júlia Kubitschek é administrado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que  informou que a gratificação de emergência aos médicos foi instituída para atrair profissionais nos processos de contratação em resposta à pandemia, uma vez que não havia interessados em ocupar os cargos. “Assim, houve a necessidade da equiparação do salário dessa categoria à existente no mercado, a fim de garantir a ampliação dos leitos de atendimento à Covid-19”.

Sobre o afastamento de trabalhadores do grupo de risco, a fundação explicou que as medidas seguiram decreto estadual e “estão em consonância com o Plano de Capacidade Plena Hospitalar e com Plano de Contingência Assistencial, ambos elaborados pela Diretoria Assistencial da Rede Fhemig”. “Na impossibilidade de teletrabalho, afastamento de servidores por meio de concessão de férias, férias-prêmio e utilização de folgas compensativas, revezamento, alteração de início e término de jornada de trabalho”.

Ainda sobre a representação dos trabalhadores no comitê de prevenção e contingenciamento, a Fhemig afirmou que o grupo atua com o apoio do Centro de Operações de Emergência em Saúde, que opera internamente na Secretaria de Estado de Saúde (SES) e reúne a central de notificações, o acompanhamento da Vigilância Sanitária e os membros do Centro Mineiro de Controle de Doenças (CMC) - “que inclui médicos e enfermeiros do Hospital Eduardo de Menezes e outros profissionais da Fhemig”.

A fundação ainda não confirmou se a paralisação atrapalhou o atendimento de pacientes no Hospital Júlia Kubitschek.

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