Trabalhadores do Hospital Júlia Kubitschek, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, vão paralisar as atividades nesta segunda-feira (27) das 8h às 14h. Os servidores fazem uma série de reivindicações ao Estado, como extensão de gratificação emergencial (concedida a médicos no período da atual pandemia) e representatividade no Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde da Covid-19, dentre outras.

Hospital Júlia Kubitschek

Unidade de saúde é, hoje, retaguarda para os atendimento de Covid-19

Na última sexta-feira, profissionais da saúde também cruzaram os braços no Hospital Regional João Penido, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Na próxima terça-feira (28), uma assembleia no Instituto Raul Soares, também na capital, pode definir uma paralisação na unidade.

O Júlia Kubitschek é, hoje, retaguarda do Hospital Eduardo de Menezes, referência em infectologia e, desde 24 de março, prestando assistência exclusivamente a pacientes com Covid-19. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que gerencia as unidades, não informou se haverá prejuízo nos atendimentos em razão da paralisação desta segunda.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Neuza Freitas, o movimento também busca o afastamento dos servidores do grupo de risco sem que eles tenham perdas salariais. “Estão dando férias-prêmio ou deixando o funcionário com falta para ser compensada depois, o que é injusto”, disse. A entidade reivindica, ainda, a reabertura do Hospital Galba Velloso Psiquiátrico. 

Retorno

Em nota, a Fhemig informou que a gratificação de emergência aos médicos foi instituída para atrair profissionais nos processos de contratação em resposta à pandemia, uma vez que não havia interessados em ocupar os cargos. “Assim, houve a necessidade da equiparação do salário dessa categoria à existente no mercado, a fim de garantir a ampliação dos leitos de atendimento à Covid-19”. 

Em relação ao Hospital Galba Velloso, a fundação disse que, por existir baixa ocupação dos leitos psiquiátricos, foi identificada a possibilidade da transferência temporária dos pacientes da unidade para o Instituto Raul Soares, pertencente à mesma rede e que atua na mesma linha de cuidado. “Ou seja, não haverá ruptura ou qualquer mudança na assistência”, garantiu a Fhemig em nota. “Com esses remanejamentos entre as unidades da rede, teremos disponíveis 200 leitos para o atendimento aos casos clínicos que necessitam de internação (o Galba não atenderá casos de Covid-19)”, complementou.

Sobre o afastamento de trabalhadores do grupo de risco, a fundação explicou que as medidas seguiram decreto estadual e “estão em consonância com o Plano de Capacidade Plena Hospitalar e com Plano de Contingência Assistencial, ambos elaborados pela Diretoria Assistencial da Rede Fhemig”. “Na impossibilidade de teletrabalho, afastamento de servidores por meio de concessão de férias, férias-prêmio e utilização de folgas compensativas, revezamento, alteração de início e término de jornada de trabalho”.

Ainda sobre a representação dos trabalhadores no comitê de prevenção e contingenciamento, a Fhemig afirmou que o grupo atua com o apoio do Centro de Operações de Emergência em Saúde, que opera internamente na Secretaria de Estado de Saúde (SES) e reúne a central de notificações, o acompanhamento da Vigilância Sanitária e os membros do Centro Mineiro de Controle de Doenças (CMC) - “que inclui médicos e enfermeiros do Hospital Eduardo de Menezes e outros profissionais da Fhemig”.

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