Um dos maiores desafios que a quarentena impôs às famílias foi a difícil tarefa de conciliar trabalho com o acompanhamento dos estudos de crianças e adolescentes. As escolas estão de portas fechadas, mas muitos alunos recebem exercícios e assistem aulas on-line promovidas pelas instituições particulares de maneira excepcional.

O ensino remoto emergencial (ERI, na sigla em inglês) exige dos pais uma atenção maior à educação dos filhos – algo que fica ainda mais complicado para aqueles que continuam a ter de sair para trabalhar ou exercem a profissão por meio do home office. Mas, para que haja harmonia, é preciso ter calma, de acordo com o pesquisador Joscimar Souza Silva, doutorando em Ciência Política pela UFMG.

Ele apresenta seis orientações importantes para que pais e filhos consigam passar pela quarentena de maneira menos traumática:

1. Não estamos em contexto de Educação a Distância, estamos em contexto de Ensino Remoto Emergencial;

2. Não estamos em tempos de normalidade, estamos em tempos de exceção;

3. Não exija normalidade (ou que tudo ocorra normalmente) em tempos de exceção;

4. É hora de compreender que todos estamos em fase de adaptação a esses novos tempos;

5. Em vez cobrar, é hora de, com voz suave, perguntar: “Como você está?”, com o profundo intuito de ouvir uma resposta sincera, não apenas protocolar;

6. Vivemos um momento incrível para curtir mais tempo com a família, explorar novas ferramentas digitais, ler o livro que está esperando na estante, assistir a filmes e séries, fazer um diário da rotina.

O pesquisador afirma que o ensino promovido pelas escolas nesse momento de quarentena está longe de oferecer a mesma qualidade do aprendizado presencial promovido dentro das unidades. “O ensino a distância preconiza a existência de uma infraestrutura para oferta de ensino, uma rede de professores e tutores, formação docente e discente para o uso das plataformas e recursos, e o ensino remoto emergencial ora implantado em poucos casos garantiu essas condições”, afirma.

Para Souza Silva, os pais e os educadores devem entender que a saúde de todos é a prioridade no momento. “Educadores, pais, mães e estudantes devem me perguntar onde fica o conteúdo do curso nisso tudo. Respondo: fica na sua experiência, no fazer sentido e conectar-se com a sua realidade e até com o momento. O conteúdo é secundário. O primordial é que você fique bem”.

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