A Polícia Civil de Minas Gerais já identificou o homem que gravou um vídeo nessa terça-feira (31), na Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa-MG), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, dizendo que havia desabastecimento. Na gravação, ele mostra um galpão com pouco movimento e diz  "Isso aqui se chama desabastecimento. Fome também mata, desespero e caos matam". 
De acordo com a polícia, o homem é um trabalhador autônomo, de 41 anos, que já foi intimado a prestar esclarecimentos. 

O vídeo, que tinha a intenção de alarmar as pessoas quanto às consequências do isolamento social, foi publicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua conta no Twitter e apagado no mesmo dia, seguido de um pedido de desculpas.  "Foi publicado em minhas redes sociais um vídeo que não condiz com a realidade para com o Ceasa/MG. Minhas sinceras desculpas pelo erro", publicou o presidente.

A Ceasa-MG informou que a gravação foi feita no momento de limpeza e que, por isso, o local estava vazio.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (2), o delegado Rodrigo Bustamante afirmou que as investigações vão apontar se o suspeito tinha a intenção de gerar instabilidade política no país. “Ainda não descartamos nenhuma hipótese. Caso sejam comprovadas outras práticas criminais mais graves, o suspeito será devidamente responsabilizado”, disse o delegado.

Além de Bustamante, fazem parte das investigações os delegados Saulo Castro e Luciano Guimarães. “O que nos chamou a atenção durante as apurações é que o lugar onde o vídeo foi gravado situa-se em um local do Ceasa conhecido como ‘a pedra’, onde os comerciantes fazem a negociação de verduras, frutas e diversos alimentos. Esse comércio começa de madrugada, por volta das 2h30 e vai até as 23h. Fora esse período, o local fica vazio, o que teria sido aproveitado pelo suspeito para a gravação do vídeo”, comentou o delegado Luciano Guimarães.

Veja as imagens do circuito de segurança do local, que mostram a gravação:

Os delegados reforçaram que a divulgaçao de notícias falsas, as chamadas “fake news”, podem gerar responsabilização penal, configurando a infração de “provocar alarme falso” (artigo 41 da Lei das Contravenções Penais), com pena que pode variar de 15 dias a seis meses de prisão ou multa.