A pandemia de coronavírus fez com que a procura pelos equipamentos de proteção individual (EPIs), principalmente máscaras, disparasse em todo o país, provocando desabastecimento. E a falta desses insumos afeta principalmente os profissionais de saúde. Para tentar amenizar as dificuldades enfrentadas por quem está na linha de frente do tratamento dos pacientes, alunos e professores do curso de Mestrado em Tecnologia Aplicada à Saúde das Faculdades Promove vêm desenvolvendo e confeccionando máscaras para serem distribuídas gratuitamente para hospitais.

De acordo com Rosângela Hickson, coordenadora do curso, mais de duas mil unidades já foram entregues desde o início da produção, que começou há cerca de 15 dias. Os itens são produzidos através de impressoras 3D utilizadas na faculdade. O grupo que confecciona as máscaras se chama Ser(tão) Máscaras 3D e  conta com alunos e docentes da Funorte, além de profissionais de uma startup de Uberlândia chamada Imperial Med.

Até o momento, as máscaras foram encaminhadas à Fundação Hilton Rocha, hospital especializado em oftalmologia, localizado na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Entretanto, com o aumento da demanda, a instituição pretende passar a repassar as máscaras para mais unidades de saúde. Segundo Rosângela, a Santa Casa de Belo Horizonte e o hospital São Francisco, também na capital mineira, devem ser os próximos a receberem o material.

A coordenadora destaca que a proteção dos profissionais de saúde é um dos pilares no combate à pandemia. "Essa transmissão do coronavírus é feita muito pela tosse, pela saliva. Então, se não há essa proteção, o próprio profissional de saúde fica doente. Ele leva (o vírus) para a casa dele, espalha a doença, porque ele acaba convivendo com mais pessoas. Então, essa proteção é uma das coisas mais importantes para que a gente evite que essa doença se espalhe mais do que já está se espalhando. Infelizmente, para nós da área de saúde, isso está começando ainda. Não estamos vendo um fim disso (pandemia) em menos de três meses", completou Rosângela Hickson.

Para entender

Nesta quinta-feira (2), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comentou sobre a escassez de equipamentos de proteção em todo o mundo. "O mundo inteiro está comprando. Quando a China iniciou esse processo do coronavírus, em Wuhan, ainda permitia a exportação de EPIs. Pouco tempo depois, só produção interna", completou o ministro, durante coletiva no Palácio do Planalto. 

Mandetta ainda afirmou que foram quase 60 dias sem poder comprar EPIs da China. "Não pode concentrar tudo num país só", pontuou.