Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (1º), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou mais uma vez a escassez de máscaras em todo o mundo e que esse é mais um desafio em meio à pandemia de Covid-19. Ele recomendou a quem está em casa que confeccione a própria máscara, mesmo que seja de pano.

Mas as fabricadas de maneira artesanal são eficazes na prevenção à doença? De acordo com o infectologista e professor da UFMG Unaí Tupinambás, não há evidência científica de que as caseiras sejam eficientes, mas elas podem ter um grau de proteção, especialmente para quem está com sintomas de virose.

Mas é preciso ficar atento a recomendações, para que a máscara não seja um agente de transmissão do vírus. “Ela deve ser de uso exclusivamente individual, ser retirada antes de entrar em casa e não ser colocada sobre mesas, camas, cadeiras, etc”, explica o professor. A máscara também não pode ser retirada pela frente, mas pela parte de trás.

“E não se pode ficar tocando com as mãos, se não perde-se toda a utilidade dela”, afirma o professor, lembrando que as máscaras devem ser higienizadas com máximo de cuidado. Assista a vídeo que mostra a maneira correta para se colocar e retirar uma máscara

A médica Clara Rodrigues, também professora da UFMG, explica que não é possível atestar a eficácia de uma máscara caseira porque há uma grande variação no processo de confecção e nos materiais usados, mas não devem oferecer risco ao usuário, se forem usadas de maneira correta e confeccionadas com todos os cuidados de higiene.

Ela relembra que a orientação atual da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que as máscaras sejam usadas por pacientes sintomáticos e por profissionais da saúde, já que a produção industrial não dá conta de abastecer toda a população.

“Assim como a máscara descartável, a caseira tende a perder a eficácia quando umidificada. Independentemente do material usado, a máscara perde a eficácia quando fica úmida”, explica a médica. Não há recomendação para um material específico na confecção de uma máscara caseira.

Para ela, mais do que incentivar o uso de máscaras em população saudável, as autoridades de saúde devem reformar os cuidados com a higienização das mãos. Ou seja, lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia ou higienizá-las com álcool 70º.

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