O Carnaval de Belo Horizonte encanta até uma baiana apaixonada pela festa. Moldada foliã nas ruas de Salvador desde os 13 anos, Ivone Gomes virou personagem na capital mineira.

Com a certeza de que idade é apenas um detalhe, pois a cada ano se sente mais jovem, ela comanda o Requebra, grupo de dançarinos fundado há sete anos que participa de vários blocos, entre eles o Havayanas Usadas.

"O meu encanto pelo Carnaval é a alegria, entusiasmo, momentos de felicidade que vivemos. Mas, aqui em Belo Horizonte há ainda outro aspecto que me encantou, que é a manifestação política, o caráter social, de inclusão, respeito às diferenças", revela a advogada que veio para Belo Horizonte há dez anos para ajudar o filho na sua empresa.

Se um filho a trouxe para a capital mineira, o outro a levou para a folia. É Peu Cardoso, regente do Havayanas Usadas e que passava o som enquanto a mãe organizava seus dançarinos.

Ensaiando desde setembro, com as baterias dos blocos a partir de novembro, Ivone revive em Belo Horizonte o Carnaval de rua que, segundo ela, é mais democrático.

"Salvador tem muito a coisa dos blocos fechados com abadás, camarotes. Aqui a festa é igual para todos. Além disso, o Axé aqui é retrô. Lá, tem mais os sucessos do momento. Mas as duas folias são sensacionais", afirma a foliã.

Quarto bloco este ano, e último, o Havayanas Usadas inicia seu trajeto pela Andradas puxado pelas dançarinas de Dona Ivone, que todo ano começa o Carnaval de BH como se fosse com um recado: "Então Brilha".