A diversidade do Carnaval fez com que foliões se colorissem bastante e usassem inúmeros tipos de fantasias pelas ruas de Belo Horizonte, inclusive contrariando a cartilha do Conselho Municipal de Igualdade Racial. O órgão ligado à Prefeitura de Belo Horizonte divulgou antes da folia, dentre tantas recomendações, que os foliões evitem de usar adereços indígenas durante a festa.

A reportagem do Hoje em Dia viu no desfile do bloco “Então, Brilha” algumas pessoas usando cocares e pinturas características. 

“Não estava ciente. Acho um absurdo. Até estranhei mesmo, porque o motorista do ônibus me disse assim: vão colocar fogo em você hoje. Achei super estranho. Agora entendi o motivo. Com respeito, não vejo problema algum em se vestir como os índios”, disse Rosimeire Figueredo dos Reis, 26. 

Carnaval

A opinião de outros foliões era a mesma durante o cortejo neste sábado. “Perda de tempo. É a prefeitura interferindo ou querendo interferir onde não deveria. Não há preconceito, desrespeito nenhum. Carnaval é diversão”, comentou o professor Éverton Henrique, 25. 

Acompanhada de dois amigos, um deles usando cocar, a advogada Regina Baldon, 50, mostrou sua indignação com a sugestão do órgão da PBH. “Não vejo problema nisso. Com respeito tudo pode. Me indigno com desrespeito, mas na paz, acho válido. É uma homenagem aos índios”, comentou.

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O instrutor de trânsito Álvaro da Matta também discordou do que chamou de “imposição nada inteligente”. “Gostaria de saber o que a prefeitura fez pelos índios em sua história. Se no Carnaval os carnavalescos já representaram os índios, porque os foliões com respeito não podem homenageá-los? Tentativa de uma imposição nada inteligente”, criticou. 

Além de sugerir o não uso de adereços indígenas, o Conselho Municipal de Igualdade Racial indicou outras medidas por meio de publicação no Diário Oficial do Município (DOM), citando fantasias, marchinhas e, claro, atitudes dos foliões.

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