A reconstrução total da capital mineira, após os temporais de janeiro e início deste mês, pode ficar para o segundo semestre. Obras emergenciais devem ser concluídas até junho, mas as que dependem de projetos, por serem mais complexas, correm o risco de demorar mais um pouco.

Licitações são necessárias para contratar os estudos. Os pontos com problemas em toda a metrópole são estimados em 1,5 mil. O número pode crescer, uma vez que o balanço parcial engloba só o mapeamento da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).

Até o momento, as intervenções ocorrem em 300 lugares. Recuperação de pavimento e de vias, praças e canteiros, contenções de encostas, desobstrução da rede de drenagem e de bocas-de-lobo são algumas da ações. 

Esses tipos de intervenções devem ser concluídos em quatro meses, afirma o titular da Sudecap, Henrique Castilho. “Muita coisa já vai melhorar em 30 dias”. 

O gestor garante que nenhuma área da cidade é priorizada. “Estão nas nove regionais. Além de manutenção, há equipes específicas para obras da chuva e para levantar estragos”.

Projetos

Porém, a conclusão das obras que precisam de estudos deve demorar um pouco mais, informou a superintendência, em nota. 
O processo depende de abertura de edital, seleção das propostas, anúncio do vencedor e prazos para interposição de recursos. “Mas o emergencial deve ser feito, não há dúvida, pois os temporais praticamente destruíram o sistema viário central de BH. Em paralelo, a prefeitura trabalha para contratar mão de obra, fazer os estudos essenciais, para as demais intervenções”, destacou o presidente da Comissão de Recursos Hídricos da Sociedade Mineira dos Engenheiros (SME), Sérgio Menin Teixeira de Souza.

O ideal, na opinião do especialista, seria mudar os conceitos de construção na cidade. “Nas duas últimas décadas, as obras feitas não acompanharam a ‘boa engenharia’. Como consequência, as chuvas excepcionais que vimos neste ano fizeram um grande estrago. Agora é, daqui para a frente, pensar em soluções que, de fato, conversem com a engenharia e sejam eficazes”, disse.

Descanalizar rios, como proposto por um grupo de ambientalistas, não é a melhor alternativa para a metrópole, destaca Sérgio Menin. “Primeiro, é caríssimo. Além disso, não é conveniente tapar os rios, isso é feito em todo lugar do mundo. Só que grande parte das obras foi subdimensionada, ou seja, deveriam ter sido feitas com capacidade para drenar toda a água, justamente o que não fizeram”, conclui o engenheiro civil. 

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