Morreu em Belo Horizonte mais um homem que pode ter sido vítima da síndrome nefroneural, possivelmente provocada por uma intoxicação por dietilenoglicol. A informação foi divulgada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (15), mas a identificação do paciente ainda não foi apresentada. De acordo com a instituição, a confirmação oficial de que a morte foi provocada pela intoxicação só poderá ser feita após a necropsia no Instituto Médico Legal. 

Esse pode ter sido o terceiro óbito relacionado à doença que provoca complicações graves nos rins e nas atividades neurológicas. No dia 9, morreu um morador de  Ubá, de 55 anos, que havia passado o Natal na casa da filha, no bairro Buritis, região Oeste de Belo Horizonte. No dia 28 de dezembro, uma mulher de 60 anos faleceu em Pompéu, na região Centro-Oeste de Minas, depois de ter passado pela capital mineira. Ambos tomaram a cerveja Belorizontina.

A morte da mulher em Pompéu foi divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde desse município, mas ainda não é computado oficialmente entre os 18 casos analisados pela força-tarefa. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o caso está sendo avaliado pela equipe do CIEVS Minas, sendo solicitado levantamento de informações adicionais junto ao município.

Investigação

Uma força-tarefa foi criada para investigar as causas da grave doença nefroneural que acometeu algumas pessoas desde dezembro. A hipótese mais provável é que todas elas tenham sido intoxicadas após ingerir cerveja Belorizontina, fabricada pela Backer. Amostras de sangue de quatro pacientes (inclusive do homem que morreu em Ubá) indicaram positividade para dietilenoglicol, substância tóxica usada na indústria como anticongelante. 

Após a ordem do Ministério da Agricultura para recolher todos os 21 rótulos produzidos desde outubro pela Backer, a cervejaria informou ter acionado a Justiça pedindo mais tempo para realizar o recall. Em nota, a empresa disse que precisa de um prazo maior para atender a medida “da melhor maneira possível”. Em coletiva, realizada nesta terça, a empresa pediu aos consumidores que não façam uso das cervejas Belorizontina e Capixaba.

A empresa nega a utilização de dietilenoglicol em seu processo de produção, mas reconhece que a substância foi encontrada no tanque de resfriamento e em garrafas de Belorizontina. Segundo a Backer, a substância usada no processo de resfriamento é o monoetilenoglicol

Leia mais:
Só piora: Backer faz apelo para não beber Belorizontina; cerveja pode ter feito vítimas em 6 cidades
Backer pede mais tempo para recolher todas as cervejas da marca