A cerveja pilsen Belorizontina desapareceu dos supermercados do bairro Buritis, na zona Oeste da capital, após a divulgação do laudo que apontou uma substância tóxica encontrada em pelo menos dois lotes da bebida. As investigações da Polícia Civil seguem para verificar se o dietilenoglicol pode ter provocado a doença misteriosa que atingiu moradores e frequentadores da região.

A reportagem do Hoje em Dia rodou diversos estabelecimentos comerciais da região, na manhã desta sexta-feira (10), e não encontrou nenhuma garrafa da marca. "Recolheram tudo ontem à noite mesmo, logo depois que o caso foi noticiado. Hoje, já não havia mais nenhuma para venda", revelou o repositor de um supermercado do bairro. 

cervejas da backer
Belorizontina foi retirada das prateleiras, mas outros rótulos da Backer continuam à venda
 

Em outros locais, como no Prado, a bebida também não está nas prateleiras. Por meio de nota, a cervejaria Backer, que produz a Belorizontina e outros 20 rótulos, informou que vai recolher as garrafas fechadas de casa em casa dos consumidores

"Por precaução, os lotes em questão - L1 1348 e L2 1348 - citados pela Polícia Civil, e recolhidos na residência dos consumidores, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado", diz em trecho do comunicado.

Porém, por medida de segurança, todos os lotes da cerveja também foram recolhidos dos supermercados. Os demais rótulos da Backer continuam sendo vendidos.

Até o momento, a doença misteriosa - que provoca quadros graves de insuficiência renal e alterações neurológicas - afetou oito pacientes, sendo que um deles morreu. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), as sete vítimas continuam internadas em hospitais de BH e de Nova Lima, na região metropolitana.

cerveja da backer
Rótulos da Belorizontina sumiram de todos os comércios do Buritis e outras regiões de BH
 

Contaminação

De acordo com a Polícia Civil, laudo aponta a presença de substâncias tóxicas em dois lotes do rótulo. Os exames são preliminares e a corporação destaca não ser possível afirmar se a bebida contaminada teria relação com a enfermidades.

A solução dietilenoglicol (DEG), encontrada nas bebidas, é um líquido sem cheiro que se mistura com água e solvente. Usado como anticongelante, em altas doses, se ingerido, pode causar intoxicação, com quadro de insuficiências renal e hepática.

Os sintomas foram os mesmos apresentados pelos doentes atendidos em hospitais particulares, no Estado, no último mês. Até então, o único denominador em comum entre os casos era o fato de as vítimas, todos homens de 23 a 76 anos, serem moradores ou terem estado no bairro Buritis.

Em nota, a cervejaria informou que o DEG não faz parte do processo da Belorizontina. A Backer garantiu estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e contribuir com as investigações.

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