Bactéria, fugo, vírus, inalação de produto químico ou ingestão de toxina. Todas essas hipóteses - e outras tantas - estão sendo investigadas por autoridades de saúde pública de Belo Horizonte, Minas Gerais e governo federal na tentativa de desvendar o que levou a internação de oito pessoas que moram ou frequentam o bairro Buritis, região Oeste da capital. Uma das vítimas morreu.

O caso envolvendo a doença misteriosa tem intrigado, pois, apesar de vários exames realizados, nenhum foi decisivo para apontar a causa do mal. Uma força-tarefa foi montada e está sendo conduzida pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Por isso, todas as linhas de investigação estão são apuradas.

Ex-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI) e especialista na área, Carlos Starling destaca que a enfermidade tem instigado, além dos moradores da cidade, também o meio científico. "As investigações ainda estão em curso e, por isso, não dá para tirar nenhuma conclusão. As hipóteses vão se tornando mais claras na medida em que os dados clínicos dos pacientes vão saindo e, também, o resultado na necropsia feita no paciente morto", declarou.

Cautela

Na avaliação do especialista, a doença misteriosa não seria transmissível, já que pessoas que tiveram contato com os pacientes não foram afetadas. O caso é considerado complexo e exige um processo metódico de análises. "As autoridades estão realizando um método científico, que tem várias etapas. Elas têm que ser feitas com muito cuidado. É importante que as pessoas saibam que a metodologia para fazer um estudo desse não chega a uma conclusão de um dia para o outro. Quanto mais complexo, mais demora para ser concluído", explicou.

Para Starling, a população deve manter a calma e não se apavorar. "Pode ter um certo temor, mas não a ponto de fazer juízo de valor precipitado. Embarcar em fake news pode prejudicar pessoas e empresas. Falsas informações têm consequências sérias", ponderou.

Surto

Até o momento, a doença misteriosa atingiu oito pessoas, sendo que uma delas não resistiu e morreu na terça-feira (7). As vítimas foram submetidas a vários exames, mas, até agora, nenhum deles foi conclusivo.

O que se sabe é que todas as vítimas são homens, moradores do bairro Buritis ou estiveram na área na segunda quinzena de dezembro, época em que ficaram doentes. Uma força-tarefa, com autoridade de saúde de BH, de Minas Gerais e do Ministério da Saúde, foi montada para tentar desvendar a doença.

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