O muro de contenção de uma obra se rompeu, na madrugada desta quinta-feira (9), na rua Rio Negro, no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte, atingindo três moradias no entorno. Ninguém se feriu, mas os moradores precisaram deixar os imóveis ao redor às pressas.

De acordo com Valdir Vieira, chefe da Defesa Civil municipal, a ruptura, ocorrida por volta de 3h, causou o desabamento parcial de um barracão aos fundos de uma residência, expôs parte das fundações de uma segunda moradia e também de um prédio. Segundo ele, vários fatores podem ter causado o colapso.

“A estrutura de contenção não suportou o peso a que estava submetida. Esse trabalho (de estudo) das causas precisa ser feito por uma equipe especializada. Nós tivemos chuvas em Belo Horizonte. Isso pode ter contribuído para o sobrepeso na estrutura, mas esse é um trabalho que precisa ser feito por especialistas”, afirmou o técnico. 

Os moradores das três residências afetadas foram retirados, preventivamente, das casas até que fossem feitas vistorias em todos os imóveis. Mais cedo, a perícia da Defesa Civil declarou que não constatou a necessidade de interdição de nenhuma das construções. No entanto, ainda nesta manhã, o órgão atualizou o caso e informou que a moradia dos fundos da rua Rio Negro, 74, que desabou parcialmente, foi interditada.

O órgão aguarda um plano de ação emergencial do engenheiro responsável pela obra para reestabelecimento das condições de segurança no local. A reportagem entrou em contato com a construtora e aguarda um posicionamento.

Madrugada de medo

Na prática, dois dos três imóveis atingidos estão liberados, mas os moradores têm medo. “Estamos acordados desde três horas da manhã. Meu irmão acordou com poeira caindo no rosto. Ele viu uma rachadura na parede e acordou todo mundo”, contou o analista de suporte Guilherme Antunes, de 20 anos, morador do barracão que cedeu parcialmente. 

Fernando Taranto, de 35 anos, contou que foi acordado pelo barulho de pedras caindo e achou que se tratava de alguém invadindo ou furtando a obra vizinha. O engenheiro, que mora na China e está de férias no prédio dos pais, no número 100 da Rio Negro, chegou à janela, não viu nada e tentou dormir novamente, mas o estrondo continuava.

“Voltei para olhar e vi uma trinca bem dilatada. Alertei todo mundo e saímos para a rua, com menino pequeno. Ficamos ouvindo o barulho e, quando o muro cedeu, foi possível ver que se formou uma vala, onde caía todo o detrito”, relatou. Segundo ele, a estrutura veio abaixo às 7h, mas todos já estavam seguros.

A mãe dele, Magda Taranto, é sindica da construção, de três andares. "Estamos temerosos. Aparentemente, não atingiu a fundação. Mas estamos aguardando. Quero localizar o construtor do nosso prédio para ver se ele avalia a situação", disse.

Obra havia sido vistoriada

Segundo a Defesa Civil, em outubro do ano passado, um morador do imóvel da rua Rio Negro solicitou vistoria do órgão com a finalidade de avaliação de possíveis riscos. A Defesa Civil esteve na região e constatou trincas e fissuras no muro de divisa e no piso do corredor de acesso aos fundos do imóvel. Essas anomalias visualizadas foram classificadas como de risco baixo. 

Ainda segundo o órgão, o morador e o supervisor de obras foram orientados a adotar ações corretivas e a monitorar preventivamente a construção para manter a segurança e estabilidade do local. A Defesa Civil também afirmou que, além desse, não há outros registros de ocorrências e solicitações de vistorias nos imóveis circunvizinhos à obra.

Casos semelhantes

Em novembro de 2016, moradores de um prédio no Buritis, na região Oeste da capital, tiveram que sair de um apartamento onde um muro desabou. Em outro caso, em julho de 2011, parte de um prédio em construção desmoronou no mesmo bairro.

Em 2013, um muro desabou na rua Cabo Verde, no bairro Cruzeiro, na região Centro-Sul, ameaçando prédios vizinhos. Pelo menos 16 famílias tiveram que deixar seus lares e foram encaminhadas para hotéis da cidade.