A intoxicação leva, por mês, pelo menos 179 pessoas para os hospitais de Belo Horizonte. São ocorrências de uso inadequado de medicamentos, abuso de drogas e contato com materiais de limpeza e veneno para ratos. Ingestão de alimentos contaminados também é comum.

Essa, aliás, pode ter sido a causa da internação de quatro moradores  do bairro Buritis, na região Oeste da capital, nos últimos dias. Produtos consumidos por eles ainda são analisados e, até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), que abriu inquérito para investigar os casos, não sabe o que, de fato, ocorreu.

As suspeitas lançam um alerta, especialmente nesta época do ano. As altas temperaturas favorecem a proliferação de bactérias e germes nos alimentos, provocando mal-estar.

Vômitos, diarreias, dores abdominais e náuseas são sintomas comuns de intoxicação alimentar. Em situações mais graves, como o estado do paciente e da quantidade de alimento ingerido, pode até matar.

É o que pode ter acontecido a um empresário recifense que veio a óbito, em dezembro do ano passado, após ingerir ostras na praia. Ele estava acompanhado da mulher que, ao sentir um gosto estranho, decidiu não mais comer a iguaria. O homem teria contraído uma infecção por bactérias.

Atenção redobrada

Observar a aparência, cheiro e composição da comida são essenciais para evitar problemas. A recomendação é ainda mais importante para quem vai viajar e não conhece o local.

Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estevão Urbano Silva destaca que nas férias as pessoas ficam mais displicentes com a higiene, o que eleva os riscos. “Existem locais onde falta até água potável”, ressalta.

Ao primeiro sinal de indisposição, o médico orienta procurar ajuda profissional. Segundo ele, é comum a população fazer o tratamento em casa quando a intoxicação alimentar é considerada leve ou moderada. Por conta disso, inclusive, Estevão Urbano acredita que há subnotificação dos casos.

Investigações

Sobre o caso dos moradores do bairro Buritis, o presidente da SMI diz não haver indícios de que os quatro doentes tenham frequentado os mesmos ambientes e ingerido as mesmas refeições. “Existem suspeitas, mas nada de concreto. A comunidade científica está intrigada, mas temos que aguardar as conclusões dos laudos”, declarou o infectologista.

Outros materiais

Estevão Urbano, lembra, ainda, a necessidade de conscientização da população em relação a outros tipos de intoxicação, como a automedicação.

Reportagem publicada pelo Hoje em Dia em julho do ano passado mostrou que, nos últimos cinco anos, 2 mil mineiros passaram mal após tomar remédio sem orientação médica. O abuso pode provocar desde uma simples dor de cabeça à morte da pessoa.