No dia dedicado a São Francisco, comemorado nesta sexta-feira (4), a Igrejinha da Pampulha, que recebe o nome do santo protetor dos animais, abriu novamente as portas para acolher moradores da capital e turistas. A reabertura, acompanhada por centenas de pessoas, contou com a celebração do arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

O arcebispo iniciou as comemorações com o plantio de uma árvore da espécie Ipê. A ação serviu para lembrar o Sínodo dos Bispos para a Amazônia. O encontro dos religiosos com o Papa para discutir a Amazônia e a preservação do meio ambiente, que começa neste fim de semana. "Todos nós temos um compromisso com a casa comum", destacou. Nos Jardins do Vaticano, em Roma, o Papa Francisco plantou uma azinheira de Assis, ainda como gesto de uma ecologia integral.

Com a reabertura, as missas na Igrejinha da Pampulha serão retomadas a partir deste domingo (6), sempre às 10h30.  As visitações poderão ser feitas todos os dias, entre 8h e 18h. Será cobrada uma taxa no valor de R$ 5 por pessoa. E as noivas que estão ansiosas para agendar o casamento em um dos cartões-postais de BH podem procurar a Paróquia Santo Antônio, no bairro Jaraguá, na região da Pampulha, a partir de janeiro. Os agendamentos serão para 2020 e 2021. A celebração custará cerca de R$ 600. Também serão realizados batizados coletivos e gratuitos, mediante marcação.

Participaram da reabertura do tempo a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, o representante do Ministro da Cidadania e secretário-adjunto da Cultura, José Paulo Soares Martins, além do vice-prefeito da capital, Paulo Lamac.

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O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, abriu as celebrações

Reformas

A Igrejinha da Pampulha ficou fechada por cerca de dois anos. A restauração ficou em R$1,4 milhão e foi executada por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do governo federal. A previsão era de que a obra fosse concluída em junho deste ano, mas a mudança no projeto inicial provocou o atraso. 

Foram realizadas limpeza do piso, pintura das paredes, troca de telhas e calhas. Uma tecnologia desenvolvida pela Nasa também foi utilizada pela melhorar a hipermeabilização no teto e minimizar a dilatação das juntas da estrutura. Segundo o engenheiro da construtora Tecnibras Cláudio Pereira, as lâminas metálicas foram usadas para evitar a transferência de calor do teto para o interior da igreja. "O  revestimento térmico, composto por uma espécie de isopor, e as lâminas ficam entre o concreto e o forro de madeira da cobertura", pontuou.

Resolver o problema da passagem de água na cobertura da edificação foi um dos principais desafios da obra, segundo o arquiteto do Iphan, Ulisses Lins. "O calor esquenta a estrutura e pode danificá-la, provocando infiltrações", esclareceu. 

A diretora do Iphan, Kátia Bogéa, ressaltou que os profissionais que participaram da reforma são reconhecidos internacionalmente pelo trabalho de preservação. "A restauração realizada aqui foi primorosa", destacou. 

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 As visitações poderão ser feitas todos os dias, entre 8h e 18h. Será cobrado valor de R$ 5 por pessoa

Unesco

As intervenções na Igrejinha da Pampulha são recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para garantir o título de Patrimônio da Humanidade do complexo arquitetônico. Segundo a diretora do Iphan, Kátia Bogéa, um relatório com dados sobre as ações realizadas em prol da preservação do acervo será apresentado em julho de 2020, na China, durante o comitê da instituição mundial.

Este ano, as portas do Museu de Arte da Pampulha (MAP) também foram fechadas para obras de restauração. Conforme a Fundação Municipal de Cultura (FMC), serão reformadas a biblioteca e o Centro de Documentação. Além disso, as condições de acolhimento e acessibilidade serão melhoradas. Serão investidos R$ 7 milhões e a previsão é de que visitantes voltem a frequentar o local em 2021.

Com relação à lagoa, a Copasa informou que, para recuperar o espelho d'água e promover a desintoxicação do reservatório de 18 kg de extensão, são realizados trabalhos, desde 2016, para remover o esgoto lançado por mananciais que deságuam no local. 

Em 2017, uma guarita construída na Casa de Baile foi removida. 

Polêmica

Uma ação cível do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) tramita na Justiça, desde agosto, para que um anexo do Iate Tênis Clube seja demolido. A estrutura construída na década de 1970, em desacordo com o projeto de Oscar Niemayer, possui academia, salão de festas, salões de beleza e estacionamento. Para o MPMG e para a Unesco, o "puxadinho" impacta a harmonia do complexo.

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