O ensino fundamental, que engloba do 1º ao 9º ano, é a formação máxima que 60% dos mineiros conseguiram atingir. O número mostra o quanto será difícil cumprir a meta de, até 2024, fazer com que todas as pessoas tenham passado pelo menos 12 anos da vida na escola. O tempo é o mínimo necessário para concluir o ensino médio.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2019, divulgada pelo IBGE, mostram ainda que a única faixa em que houve incremento de alunos nos últimos três anos foi no ensino superior. Atualmente, 15% dos mineiros possuem diploma universitário. A estatística é puxada pelas mulheres que, em geral, estudam mais que os homens.

Desigual

Nas duas primeiras etapas (fundamental e médio), contudo, pouca coisa mudou. E ao contrário do que o senso comum pode indicar, o caminho para solucionar o problema não se restringe a investimento. A saída passa, também, pela democratização das oportunidades. “Há hoje um acesso grande às escolas. Mas é inegável que estudantes das periferias estão em instituições com condições estruturais muito piores que os dos grandes centros”, diz Luciano Mendes, coordenador do projeto Pensar Brasil, da UFMG. 

Mestre em literatura e professora das Faculdades Keneddy e Promove, Renata Paula de Oliveira considera que as desigualdades agravam a estagnação da educação no país. “Não vemos mudanças na forma de ensino que estimulem, por exemplo, um jovem que precisa trabalhar e estudar a continuar na escola”, pondera.

Projetos

O Ministério da Educação informou que, em conjunto com os estados, encaminha projetos para investimento na educação básica. Já a Secretaria de Estado de Educação salientou a regularidade nos repasses dos fundos de educação às prefeituras como estratégia para alavancar projetos. Mais de R$ 14 milhões serão liberados na próxima semana para reformas em 86 escolas.