A porção que se desprendeu do talude e escorreu para dentro da cava da mina de Barão de Cocais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na madrugada desta sexta-feira (31), representa menos de 1% de toda a estrutura, conforme informações da Defesa Civil de Minas Gerais. A parte que se soltou possui 20x30 metros, o que dá cerca de 600 metros quadrados. 

O major Marcos Afonso Pereira, superintendente de gestão de risco de desastres do órgão, concedeu entrevista coletiva nesta  tarde. Segundo ele, o evento registrado não causa nenhuma alteração na situação de alerta que a cidade vive desde março, quando o nível de risco da barragem foi elevado para 3.

"Todo o plano de evacuação, as sirenes, só serão acionados em caso do pior cenário, que vem diminuindo as chances de acontecer, já que a tendência é que o talude escorra para dentro da mina gradativamente, o que não provocaria o abalo sísmico que pode ser gatilho no rompimento da barragem. O nível de alerta continua o mesmo e não há necessidade de pânico", precisou. 

O major Pereira explicou ainda como aconteceu o desprendimento registrado nesta madrugada. "Durante a semana a gente já tinha relatado que havia uma tendência maior de escorregamento. O que aconteceu foi que uma parte da base desse talude, da parte mais próxima da água da cava, escorreu em um movimento semelhante ao de uma areia", contou. 

Ainda de acordo com a Defesa Civil do Estado, não há como estimar uma data precisa para que o desprendimento de todo o talude aconteça. "Mas esse movimento, esse escorrimento, é importante pois tira o nível de energia e tensão que estava sobre a base do talude, com a estrutura se estabilizando. A gente espera que esse fluxo continue acontecendo nos próximos dias", finalizou o major. 

A última informação repassada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) à Defesa Civil é que o deslocamento do talude já chega a 35 centímetros por dia em alguns pontos da estrutura. 

Vale avisou órgãos após movimentação

O desprendimento desta porção do talude foi comunicado à Defesa Civil pela própria Vale no início da manhã. Em nota  divulgada à imprensa, a mineradora informou os blocos que se soltaram foram acomodados no fundo da cava. "As primeiras avaliações indicam que o material está deslizando de forma gradual, o que até o momento corrobora as estimativas de que o desprendimento do talude deverá ocorrer sem maiores consequências", completa a empresa. 

O texto divulgado lembra que a cava e a barragem Sul Superior, que corre risco de rompimento, estão a cerca de 1,5 km uma da outra. "Elas seguem com monitoramento 24 horas por dia de forma remota, com o uso de radar e estação robótica capazes de detectar movimentações milimétricas, além de sobrevoos com drone", pontuou.

A barragem está no nível 3 de alerta desde o dia 22 de março. Antes disso, no dia 8 de fevereiro, os moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS) já haviam sido evacuados. "A Vale reitera que manterá a comunidade de Barão de Cocais informada da situação", concluiu a mineradora. 

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