Em apenas uma semana, 6.718 notificações de dengue foram feitas em Belo Horizonte. A média é de 959 registros por dia. O número inclui os casos suspeitos e as confirmações, conforme balanço divulgado nesta sexta-feira (26) pela Secretaria Municipal de Saúde. A epidemia obrigou até a rede particular a reforçar o esquema de acolhimento às vítimas do Aedes aegypti.

Novos profissionais foram contratados e houve aumento na compra de medicamentos e insumos. Estimativa da Associação dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Minas Gerais aponta que os atendimentos dobraram nas unidades da metrópole desde fevereiro. 

Sobrecarregados, alguns pronto-atendimentos interromperam o serviço e apenas os casos de urgência e emergência são recebidos. Leitos estão lotados e a espera por socorro tem durado até seis horas. “É um problema generalizado, uma situação assustadora que nem o poder público nem o privado estão conseguindo absorver”, diz Wesley Marques, superintendente da associação. 

No Hospital Felício Rocho, na região Centro-Sul, o pronto-atendimento precisou ser fechado na quinta e na sexta-feira. Duas funcionárias ficaram na porta orientando as pessoas a procurar outras instituições. “Só estamos recebendo urgência e emergência. Nossa estrutura não comporta mais”, disse uma delas. A unidade foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

No Vera Cruz, também na regional Centro-Sul, a situação é semelhante. “Depois que começou o período sazonal da dengue, em meados de fevereiro, passamos de 200 atendimentos por dia para cerca de 350”, informou o coordenador do pronto-atendimento Harlei de Rezende. Um cartaz foi colocado para avisar sobre o aumento da procura e do tempo de espera. “Isso acabou resultando em uma demora maior. Em alguns casos estamos levando cerca de três horas para atender”, acrescenta.

De acordo com o gestor, com a alta no número de pacientes, o hospital precisou contratar mais um clínico. A equipe também foi reforçada com quatro técnicos em enfermagem e dois enfermeiros. Rezende garantiu que o hospital tem conseguido absorver a demanda.

Enfermeira aposentada, Maria de Fátima Andrade, de 60 anos, estava no local para acompanhar a irmã. Moradoras do bairro Dom Bosco, na região Noroeste, as duas esperaram por duas horas. “É uma situação que foge ao controle dos médicos. Já estive do lado de lá, sei da dificuldade. É preciso ter paciência”.

Em outros hospitais particulares de BH, o Hoje em Dia também observou a sobrecarga. Na rede MaterDei, uma funcionária disse que as duas unidades estão superlotadas. O hospital não se posicionou.

Já a Unimed disse que a alta foi de 67% nos atendimentos. Houve reforço de médicos e enfermeiros. Cinco Centros de Promoção à Saúde e três hospitais estão em funcionamento. 

Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, o médico Estevão Urbano, que trabalha em outros hospitais particulares, confirma que a epidemia tem atingido em cheio as unidades. Para ele, o combate ao Aedes aegypti, eliminando os focos do mosquito, deve ser reforçado na cidade.

Por dia, em média, 300 casos foram confirmados na última semana; no total, já são 25.174 notificações desde o início do ano

Ações

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, está previsto um mutirão na região Noroeste na próxima semana, além de ações de conscientização por lá e no Barreiro.

Neste sábado (27), será aberto o Centro de Atendimento para Dengue (CAD), na Praça Modestino Sales Barbosa, 100, no bairro Flávio Marques Lisboa. A unidade é exclusiva para atender pessoas com sintomas da dengue. O funcionamento será das 7h às 18h, todos os dias. Sete centros de saúde também prestarão assistência, das 8h às 17h.