Prefeitos de 17 municípios banhados pelo rio Paraopeba se reuniram nesta terça-feira (19), em Pará de Minas, na região Centro-Oeste do Estado, para debater os efeitos provocados pelo rompimento da Barragem I do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH. A principal decisão do encontro foi a criação de uma comissão, formada por sete prefeitos, que irá interceder pelo grupo junto à Assembleia Legislativa, ao Ministério Público e à mineradora Vale. O objetivo é conseguir reparações referentes a estragos e perdas sofridas ao longo do rio, até a represa de Três Marias. 

A comissão será composta pelos administradores dos municípios de Pará de Minas, Papagaios, Brumadinho, Três Marias, Paraopeba, Betim e Pompéu. Serão levantadas as demandas de cada um dos municípios afetados pela tragédia, para depois se construir um documento único com reivindicações, a serem enviadas a promotores e parlamentares.

“Cada prefeito vai apresentar sua demanda e particularidade. Um exemplo: as pessoas estão dizendo que a represa de Três Marias está contaminada. Um peixe que era vendido a R$ 3, por exemplo, agora sai por R$ 1. Daqui a pouco, nem teremos mais tilápia. Houve impacto num processo que não era previsto”, explica Elias Diniz, prefeito de Pará de Minas, que assinou com a Vale um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a construção de uma adutora e uma represa no município.

Na reunião, ficou decidido que o presidente da comissão será Mário Reis Filgueiras, prefeito de Papagaios. Segundo ele, o primeiro passo é estabelecer estratégias para ter um real conhecimento sobre o estado do rio Paraopeba. “A gente recebe informações de todo o jeito e não consegue passar para a população a realidade sobre o que está acontecendo”, afirma Filgueiras. “Se a gente não se unir, cada um vai falar uma coisa diferente e ninguém vai nos ouvir”.

Procurada pela reportagem, a Vale afirma que não vai comentar a criação da comissão.

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