Imprimir chocolate. A princípio, a ideia pode parecer improvável. Mas, alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) mostram ser possível “criar” o doce em programas específicos de impressão 3D. O projeto de baixo custo, que já recebeu um prêmio da instituição, irá participar de uma feira nacional de ciências, organizada pela Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho de iniciação científica começou em 2016. Nas primeiras etapas, os bolsistas elaboraram partes cruciais do equipamento. Foram desenvolvidas formas de medição da temperatura do produto e uma extrusora, peça em que é introduzida uma seringa com a guloseima.

“Agora, estamos na fase de impressão, com a perspectiva de criar outros métodos, como de velocidade da reprodução e dinâmica de movimentação da extrusora”, garantiu o professor do curso técnico de eletrônica e orientador do projeto, Ronan Drummond.

Bolsista no projeto, o estudante de eletrônica Caio César Alves Vieira, de 19 anos, apresentou algumas formas geométricas, como triângulos e círculos, nas quais o produto é “impresso”. “Gasto cerca de 20 minutos para fazer a peça em um programa. Depois, edito as linhas e, em seguida, mando imprimir”, conta o jovem.

O estudante diz que a extensão tem sido crucial para a formação acadêmica. “Está sendo muito interessante aprender a usar os programas específicos, a mecânica da impressora. Sofro um pouquinho com ele derretendo”, brinca Caio César. Segundo o aluno, nesses dias de calor, por conta da textura do chocolate, a impressão é mais difícil. 

No projeto atual, além do Caio, fazem parte Carolina Kuroda Silveira e Danilo Garcia Mariano. Na primeira etapa, que desenvolveu a extrusora de chocolate, fizeram parte André Luís da Costa e Lucas Henrique Gomes Ferreira.

Preparação

O professor Ronan complementa que o trabalho exercido pelos jovens é uma forma de prepará-los para o futuro profissional. “Primeiro, ele vê que aquilo que estuda em sala de aula está sendo aplicado, mas também consegue entender que só a sala não consegue resolver todos os problemas”, garante Drummond, ressaltando a importância de colocar a “mão na massa”.

“Além disso, abre novos caminhos. Eles fazem novos contatos, ficam mais desinibidos, buscam ajuda”, acrescenta o orientador, destacando que, embora a verba para manter o projeto seja curta, instiga os alunos a buscar formas alternativas de construção do maquinário.

Reconhecimento

No próximo mês, o projeto dos alunos do Cefet-MG será apresentado na 17º Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), organizada pela USP. “Temos um comprometimento muito grande com o trabalho. Afinal, é um desafio imenso”, assegura o professor da instituição.

Além disso, o projeto foi premiado em 1º lugar na categoria “Ciência e Inovação Tecnológica” em uma mostra realizada pelo Cefet.