Guardadores e lavadores de carro que atuam no Estado poderão ser cadastrados pela Polícia Militar. Pelo menos essa é a proposta de um projeto aprovado ontem, em segundo turno, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A medida visa a coibir a extorsão praticada por muitos flanelinhas, que ameaçam motoristas na hora de estacionar os veículos nas ruas. 

A norma depende da sanção do governador Fernando Pimentel para virar lei. Porém, não há prazo para a avaliação. Caso aprovado, o texto ainda carece de regulamentação para que seja definida a forma do cadastro e outras questões, como se a população terá acesso à lista. O deputado Sargento Rodrigues, autor da proposta, garante que o sistema vai desestimular a ação de infratores, que terão mais uma forma de monitoramento.

Além dos dados pessoais dos interessados, a PM terá que identificar, em um banco de dados com acesso conjunto da Polícia Civil, foto e endereço dos profissionais, que só poderão atuar nas áreas às quais informarem aos militares. Periodicamente, a corporação deverá atualizar os dados. A Polícia Militar ainda não se manifestou sobre a viabilidade da medida. 

Em Belo Horizonte, já existe um cadastro para guardadores e lavadores de carro – atualmente são cerca de 1.200. A fiscalização na cidade é feita em operações conjuntas da prefeitura com a Guarda Municipal, BHTrans e demais forças de segurança. Os principais focos são dias de jogos de futebol e grandes eventos.

Apoio

Presidente da Associação de Lavadores de Carros de Minas Gerais, José Santil Agripino acredita que seria mais eficaz se a PM utilizasse o atual cadastro da prefeitura, em vez de criar um novo. Mas, ele acredita que a medida tende a ajudar tanto a classe quanto os motoristas.

A gente nunca apoiou isso de exigir dinheiro para guardar o carro. A gente até pode negociar o valor com o motorista, mas ele paga se quiser. Lavador cadastrado não pode cobrar. Se cobrar, é só a pessoa denunciar na prefeitura ou até na polícia”, diz.

A delegada Adriana de Barros Monteiro, da Polícia Civil, reforça a necessidade de as pessoas denunciarem os atos de extorsão. Assim, segundo ela, as corporações podem mapear as áreas onde os delitos são recorrentes. “Foi isso que aconteceu com os jogos e eventos. A polícia faz ações localizadas porque sabe que lá é onde mais acontece. Neste sentido, o cadastro vai ajudar a coibir mais esta prática de exigir dinheiro dos condutores”.