A falta de verba para garantir o patrulhamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) já provoca impactos nas estradas. Parte da principal saída da capital mineira para o litoral capixaba, pela BR-381, está desguarnecida. Agentes que atuam no posto de Sabará, na Grande BH, não fizeram rondas nos cerca de 100 quilômetros entre BH e João Monlevade. O trecho é conhecido como Rodovia da Morte devido ao elevado índice de acidentes.

Sem a ação da PRF, os agentes temem que a criminalidade – principalmente o roubo de cargas – aumentem no Estado. Normalmente, seis servidores da unidade da região metropolitana se dividem em três equipes. Duas trafegam ao longo da estrada, identificando possíveis irregularidades, e uma permanece na base para fiscalização.

Ontem, no entanto, os seis agentes atuavam somente no posto, com as viaturas estacionadas. Nas bases de Betim e Nova Lima, também na Grande BH, as equipes permaneciam nas unidades pela manhã, horário em que a reportagem do Hoje em Dia esteve no local.

Segundo os agentes, o patrulhamento é uma das principais atividades para combater o crime e garantir a segurança nas estradas. Durante a ronda nos cerca de 100 quilômetros no entorno dos postos, os policiais de plantão verificam condutas irregulares e atividades suspeitas de motoristas.

“A presença da viatura nas rodovias é preventiva, porque a simples possibilidade de encontrar um carro da PRF já causa medo no delinquente”, explicou um policial, que não quis se identificar. “Com a ronda, nós ganhamos visibilidade e coibimos a ação de ladrões e assaltantes, mas sem combustível, a viatura não roda”, acrescentou o servidor.

Só emergências

A ordem expedida pela instância nacional da PRF é que seja priorizado o atendimento emergencial a acidentes com vítimas e flagrantes. Nos três postos visitados ontem, os agentes reforçaram que as atuais condições de trabalho são boas, mas que o número de policiais ainda é pequeno. 

“Se nós tivéssemos um efetivo maior, conseguiríamos ir mais longe dos postos e intensificar a fiscalização, mas com essa medida de redução de gastos, acredito que fica mais difícil ainda garantir a segurança nas estradas”, afirmou outro agente.

Segundo a assessoria de comunicação nacional da corporação, a redução de viaturas em trânsito já está acontecendo em todo o país. No entanto, o órgão afirma que está “em tratativas com Ministério do Planejamento para recomposição orçamentária e reversão do quadro”.

Conforme já informou o Ministério da Integração, o Ministério da Justiça reduziu em 44% o valor previsto para a PRF neste ano. “Todos os ministérios estão passando por um processo de contenção na execução dos gastos dada a limitação orçamentária”, explicou a pasta, em nota.

 

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“É uma péssima ideia. Nós, caminhoneiros, já não temos muita confiança nas rodovias. Se o governo reduzir a atuação da Polícia Rodoviária, que é a segurança que nos resta, não sei mais o que pode acontecer. A PRF é nosso escudo. Vivo em um medo constante de roubarem minhas cargas. Há dois meses, fui confrontado por marginais em Uberaba e eles dispararam balas no meu parabrisas”

Carlos Alberto Mininelli 
Caminhoneiro 

 

 

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“O governo jamais deveria cortar uma verba de segurança. Se com a fiscalização que já existe está caótico, imagine sem ela. Eu já fui assaltado em Porto Seguro, na Bahia, mas em Minas Gerais nunca fui. Hoje, a insegurança está em todo o canto. Volto a dizer que é muito importante que a Polícia Rodoviária Federal esteja nas estradas garantindo que a gente possa rodar com menos preocupação”

Álvaro Santana
Pastor

 

 

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“Essa medida não vai ter muita interferência no nosso dia a dia. Normalmente, quando há algum acidente ou assalto, a Polícia Rodoviária Federal nunca está no local. Temos que acioná-la. Então, no caso, eles vão ficar no posto e teremos que chamá-la da mesma forma. Acho que os bandidos que roubam carga vão agir do mesmo modo. Uma vez meu caminhão inteiro foi roubado e eu estava a 500 metros de um do posto policial”

José Manoel Araújo 
Caminhoneiro