“Meu maior desejo era passear com o meu filho, poder abraçá-lo sem ter que lidar com aquele monte de fios. E, graças a Deus, hoje posso fazer isso e vê-lo comer e beber normalmente”, conta, emocionada, Gecilene Oliveira, a mãe do menino Matheus Teodoro Oliveira. Neste sábado (24), completa um ano que a família viajou de Belo Horizonte para Miami, nos Estados Unidos, para que o garoto pudesse receber tratamento para uma doença rara.

Diagnosticado com displasia neural intestinal e com deficiência visual, Matheus precisou fazer um transplante de intestino, realizado com sucesso em setembro do ano passado. De lá para cá, o menino de 8 anos tem demonstrado uma grande melhora de saúde.

“A rotina tem sido bem diferente da que tínhamos antes. Não temos mais que acordar com um emaranhado de fios. Hoje o Matheus dorme com apenas um fio, que é desconectado pela manhã, e ele fica livre durante todo o dia”, conta a mãe do garoto.

Matheus vai uma vez por semana ao laboratório fazer exames de controle e tem uma consulta médica semanal. Ele ainda carrega uma bolsa de colostomia, mas sua rotina de alimentação mudou completamente – e para melhor.

“Ele ainda não pode comer muito doce, mas pode comer quase tudo, sem muito excesso. Tem que ter uma alimentação bem balanceada, mas isso é fichinha perto do que a gente já viveu”, diz Gecilene. Antes da cirurgia, o garoto não conseguia se alimentar normalmente e precisava de aparelhos para a nutrição do corpo e para que o intestino não atrofiasse.

Aprendendo em braile

A família ainda não sabe quando poderá voltar para Belo Horizonte. Enquanto isso, Matheus segue estudando. Como ainda não pode estudar em tempo integral, pois há uma rotina rígida de acompanhamento de exames, o menino está indo uma vez por semana a uma escola que ensina em braile. “Está aprendendo em inglês. É muito bonitinho!”, emociona-se a mãe.

Para conseguir se manter em Miami, a família ainda conta com os R$ 700 mil arrecadados por meio de uma campanha que teve mobilização nacional. “Muitas pessoas fizeram tanta coisa pelo Matheus e nem pude agradecer direito. Eu vivia por conta do Matheus, em tempo integral, e não conseguia captar tudo que estava sendo feito por ele. Depois pude ver. Como gostaria de abraçar cada pessoa que ajudou a gente”.

O tratamento de Matheus em Miami foi pago pela União, após processo movido pela família. Há ainda uma determinação judicial para que a União arque também com o custo do “Home Care” (aparelhagem que fica em casa, dando suporte ao paciente), mas esse dinheiro ainda não chegou até a família. Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre a previsão de quando esse recurso será disponibilizado.  

Confira o vídeo em que Matheuzinho relata como está a nova vida após a cirurgia:

 

Uma boa mostra de como Matheus está conseguindo brincar como as outras crianças. No vídeo abaixo, ele canta e toca bateria: