Promotores do Departamento de Direitos Humanos do Ministério Público e Minas Gerias (MPMG) e militares dos batalhões de Choque e Rondas Táticas Metropolitana realizaram, na manhã desta quinta-feira (25), uma operação dentro do Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte.

A ação é coordenada pelo MPMG e tem o objetivo de investigar possíveis irregularidades dentro do sistema prisional.Denúncias dão conta de que agentes penitenciários estariam facilitando a entrada de armas e drogas dentro do Ceresp.  Foram cumpridos mandados de busca e apreensão dentro da unidade. 

Os detentos foram colocados no pátio do Ceresp enquanto os pavilhões A e C passavam por vistoria. Agentes penitenciários também foram revistados. Dois agentes foram detidos. Um deles foi flagrado com duas armas de fogo, munição e quatro aparelhos celulares, enquanto o outro portava uma arma.

Nas galerias foram encontrados 100 gramas de substância semelhante à maconha, um aparelho celular e alguns objetos perfuro-cortantes. Os detidos foram encaminhados por outros agentes penitenciários, como determinam as normas que regem a atividade, para a Central de Flagrantes (Ceflan) do Barreiro. A Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) também acompanhou a ocorrência.

Inquérito Civil
Os promotores de Justiça informaram que a ação desta quinta-feira decorre de investigações no âmbito de inquérito civil instaurado em 2012, para apuração dos recursos estruturais do Ceresp Gameleira, incluindo as condições de trabalho dos agentes penitenciários.

De acordo com os promotores de Justiça, falta estrutura adequada à unidade e ao trabalho dos funcionários, situação que compromete a dignidade do cumprimento da pena. “A corrupção de agentes públicos, o número de agressões e torturas na referida unidade prisional, bem como as péssimas condições do cárcere, acabam se voltando contra a própria sociedade, na medida em que não há interrupção da atividade delitiva e impede a recuperação do preso”, afirmam.

Os trabalhos foram executados por quatro promotores de Justiça, em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais, contando com o apoio do Núcleo de Correição Administrativa da Secretaria de Estado de Administração Prisional. Suspeita-se ainda que torturas e maus tratos ocorrem contra presos que se tornam desafetos do esquema criminoso.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que posicionará a respeito da operação do Ministério Público no fim do dia. 

MPMG realiza operação contra irregularidades dentro do Ceresp Gameleira

Presos ficaram no pátio enquanto os pavilhões eram vistoriados

Apreensão

Em abril, o Hoje em Dia publicou uma reportagem mostrando que mais de 11 mil celulares foram apreendidos nas penitenciárias de Minas Gerais nos últimos cinco anos. 

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