As construções estão sob encostas ou à beira de barrancos. Em alguns pontos, é possível ver bananeiras, que não fixam o solo e retêm muita água. E, não raro, casas são escoradas por tábuas e armações de concreto, prestes a ruir. Erguidos sem qualquer critério técnico, cerca de 9.500 imóveis estão localizados em áreas de risco geológico médio ou alto em vilas e favelas de Belo Horizonte. Apesar do perigo, apenas oito famílias foram removidas dessas residências de abril a setembro deste ano.

Precaução

A retirada aconteceu durante a estiagem – período em que, na teoria, as medidas preventivas deveriam ser intensificadas. A justificativa da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) é a de que as ações desenvolvidas não visam retirar as famílias, mas oferecer condições de segurança nessas moradias. Especialistas apontam, porém, que os riscos são constantes e que o ideal seria a remoção.
 
O perito em engenharia Clémenceau Chiabi dá um alerta. Além de as construções serem irregulares e não terem acompanhamento técnico, estão em áreas onde o sistema de drenagem da água das chuvas é precário.

O terreno, composto basicamente por filito, solo bastante suscetível a deslizamentos quando ocorre constante infiltração de água, é outra ameaça. “A movimentação de solo nesses locais, principalmente no período chuvoso, é constante”, diz Chiabi, técnico do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG).

Sonho

Os próprios moradores admitem a situação precária. Sonham com um novo lar, mas a maioria não tem condições de sair dos locais ocupados. Com a previsão de chuva para os próximos meses, a alternativa, segundo eles, é ficar com um olho no céu e o outro no barranco.

“Todo ano a história se repete. Basta começar a chover para o medo tomar conta da gente”, desabafa a auxiliar de serviços gerais Sílvia Maria Pereira dos Santos, de 36 anos. Há 17 ela mora com os quatro filhos em uma casa de dois cômodos no bairro Jardim Taquaril, zona Leste de BH.

O drama é o mesmo de Elizabet Almeida Mota, de 55 anos. “Vivemos com medo, mas não temos saída”.Remoção é a última saída para a Urbel, mas especialistas defendem retirada de pessoas para evitar tragédias