Uma média de uma multa por minuto foi registrada nesta sexta-feira (28) no início de uma operação preventiva realizada pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) no km 1,5 do Anel Rodoviário. Nos primeiros 20 minutos de fiscalização foram aplicadas 20 multas.

A operação aconteceu no dia seguinte ao acidente ocorrido na quinta-feira, quando uma carreta carregada de pedras que descia no sentido Norte perdeu os freios e atingiu 32 veículos na altura da entrada para o bairro Buritis, Oeste da capital.

Segundo o sargento Renato Girão, que comandava a operação, todos os dias a PMRv realiza esse tipo de intervenção ao longo dos 26,5 km do Anel. “Temos de mudar o local por uma questão de estratégia”, disse.

Nesta sexta-feira, um pouco antes da operação, a reportagem do Hoje em Dia percorreu o Anel Rodoviário no sentido Norte para avaliar a sinalização e o estado da via. Logo no início ela é bem sinalizada, com placas bem visíveis alertando para trecho em declive acentuado, para que caminhões utilizem a pista da direita em descida engrenada e com uso de freio motor. Há, ainda, pelo menos três lombadas eletrônicas em que a velocidade máxima é de 60 Km/h.

Afunilamento

Porém, logo depois da primeira lombada nas três pistas, um trecho de mais de um quilômetro da direita estava interditado por cones, devido a uma obra que afunilava os veículos em duas pistas.

Para o sargento Girão, a interdição de um trecho da terceira pista é mais um dificuldade, mas não justifica o alto número de infrações no local. Outro fator que acaba provocando acidentes, segundo ele, e confirmado por vários motoristas, é que na descida, com o uso do freio motor, as lonas de freio ficam muito quentes e esquentam os tambores, que podem dilatar. Daí a fricção diminuir e dificultar a frenagem.

“Com o calor, a lona de freio fica muxibenta e é muito difícil parar”, disse o motorista José Roberto da Silva. Seu colega José Carlos Anselmo, que chegava do Rio e foi parado pela blitz, elogiou a fiscalização. “Tem muito motorista que não respeita o limite de velocidade”, disse.

Já Wanderson Oliveira, de 35 anos, foi parado por luzes de ré e freio queimadas e problemas de documentação no caminhão. Recebeu várias multas e só não teve o veículo apreendido porque os pátios estão cheios.

A frentista Fabiane Carvalho trabalha há cinco meses no Posto Maquiné, no km 4 do Anel, disse que já viu muitos acidentes ali. “Para mim, essa retenção do tráfego no horário de pico é uma das causas de acidentes”, afirmou.