Publicado no “Diário Oficial da União” em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, o projeto de construção da barragem de Jequitaí é um exemplo de como o problema da seca é tratado pelos governos.
 
A obra, esquecida em meio ao rol de soluções destinadas a acabar com a sede e a miséria no Norte de Minas, é prometida, agora, para 2014, quase 72 anos depois de sua idealização.
 
Segundo o Ministério da Integração Nacional, quando pronta, a barragem terá um espelho d’água de 9 km² capaz de irrigar 35 mil hectares de culturas agrícolas, além de servir de ponto de abastecimento para comunidades carentes. 
 
No entanto, ainda falta dinheiro para a barragem. Dos R$ 2 bilhões necessários, menos de 5% foram liberados pela União. Os R$ 95 milhões disponíveis serão usados na primeira etapa, para desapropriações e inventário florestal.
 
Segundo o Secretário de Estado de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas, Gil Pereira, o enfrentamento da seca no Norte do Estado existe desde a época do império. “Isso é um problema histórico, de gestão política da época”.
 
Além de Jequitaí, estão previstas outras duas grandes barragens, a Congonhas, em Itacambira, e a Zacarias, em Grão Mogol. O convênio da obra de Congonhas foi assinado neste ano e terá um custo de aproximadamente R$ 300 milhões. Desse total, menos de R$ 7 milhões (2,3%) foram repassados pelo Ministério da Integração Nacional. 
 
A situação da barragem de Zacarias é ainda pior: dez anos após ter criado o projeto, o governo federal repassou a iniciativa para o grupo Votorantim. O investimento será feito pela empresa e 60% do uso da água poderá ser feito pelo setor da mineração. O restante será destinado à irrigação.
 
Na zona rural de Bocaiúva, o exemplo do dinheiro mal empregado em ações dos governos reside na casa de Luzia Pereira Ramos, de 59 anos. 
 
Em época de chuva, a água que escorre do telhado é levada para um reservatório construído ao lado do casebre. Porém, os 16 mil litros ali guardados duram poucos dias e, na época da estiagem, o drama se repete. “Até água com barro já bebemos”, lembra. 
 
“Enquanto está chovendo, meu problema está resolvido. Fervo a água para beber, posso tomar banho, cozinhar, lavar roupas e até cuidar da roça. Mas quando demora a cair água do céu, dependo mesmo é do caminhões-pipa”, lamenta Luzia.
 
Permanente
 
Para o coordenador do Centro de Estudos de Convivência com o Semiárido da Unimontes, professor Expedito José Ferreira, o processo de desertificação no Norte de Minas tende a piorar o panorama. “Se nada for feito, os custos para reverter esse quadro serão ainda mais elevados”. 

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