A Prefeitura de Belo Horizonte negou a possibilidade de reduzir o número de médicos nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da capital mineira após divulgação de medidas de flexibilização das estruturas, anunciadas pelo Ministério da Saúde. A principal mudança é a redução do número mínimo de médicos para uma unidade do tipo funcionar, de quatro para dois. O sindicato da categoria em Minas Gerais faz críticas às alterações. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Belo Horizonte, a cidade conta com nove unidades, todas já com número de médicos superior ao mínimo determinado pelo ministério, já que o cálculo é feito de acordo com a demanda, e não somente pela legislação. “A Portaria não altera o funcionamento das UPAs da capital. A estruturação e a composição da equipe são feitas de forma a atender à demanda da população”, afirmou, em nota, a SMS. 

Segundo o ministro Ricardo Barros, a portaria foi desenvolvida para facilitar a abertura de 165 UPAs fechadas em todo o Brasil – 11 em Minas Gerais – e de outras 275 em fase de construção – duas delas em BH. 

Crítica

O presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Fernando Mendonça, afirma que toda categoria repudia a mudança na estrutura das UPAs. “O sindicato entende que essa é uma medida desacertada, um desencontro com a realidade das UPAs. O ministro diz que é melhor ter uma UPA com dois médicos do que fechada, mas não leva em conta que as unidades possuem equipes multidisciplinares”, afirma o médico. “Elas foram feitas para atender casos de magnitude maior, como paradas cardiorrespiratórias”, completa. 

O supervisor de vendas Gabriel Santos Silva se machucou em uma queda de moto e aproveitou para levar a filha, gripada, para uma consulta na UPA 1º de Maio, no bairro de São Gabriel. A possibilidade de mudança na estrutura de atendimento das UPAs é motivo de preocupação. “Tenho plano de saúde individual, mas se for para depender dessa demora, acho que vou ter que fazer um plano particular para toda a família”, diz.

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