O período chuvoso ainda nem começou, mas a capital já contabiliza estragos causados pela chuva. As consequências do temporal registrado na noite do último domingo, quando choveu a quantidade estimada para todos os 30 dias de setembro, servem de alerta para os meses que estão por vir.

Inundações, desabamento de muro e queda de árvore são alguns exemplos das ocorrências atendidas em diversas regiões da cidade. Nas mais atingidas (Leste, Oeste, Barreiro e Centro-Sul), a operação rescaldo realizada pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) estima que serão recolhidas até 75 toneladas de lixo e lama na ruas.

O descarte irregular de rejeitos culmina no entupimento de bueiros que, por sua vez, acaba por aumentar a probabilidade de enchentes em caso de chuva forte. A correnteza, formada nessas circunstâncias, provoca diversos estragos e pode terminar em tragédia, como acabou acontecendo. 

Um homem de 41 anos desapareceu após cair no Córrego do Onça no bairro Tirol, no Barreiro, na noite de domingo. Segundo testemunhas, ele foi arrastado pela correnteza quando saiu do carro que teria apresentado problemas mecânicos. Até o fechamento desta edição, Wanderley Silva de Freitas ainda não havia sido localizado pelas equipes do Corpo de Bombeiros que concentraram as buscas em galerias e bueiros da região. 

O caso ocorreu em uma das regionais mais necessitadas de obras para conter estragos no período chuvoso. Entretanto, as intervenções previstas para os córregos Bonsucesso, Túnel e Camarões só devem ser concluídas em 2017 e 2018. 

Outras regiões também aguardam a finalização de obras com o mesmo intuito. Na Pampulha, o foco é o aeroporto, que já registrou diversas inundações, e em Venda Nova o trabalho se concentra na região da Vila do Índio. Além dessas intervenções já em andamento, outras nove obras estão previstas em toda a cidade para os próximos anos. A maioria ainda aguarda recursos para sair do papel.

Até que tais melhorias sejam feitas, cabe à população a maior responsabilidade pela prevenção. De acordo com a Defesa Civil Municipal, “enquanto as obras não são concluídas, os riscos continuam instalados e, diante de tal, as medidas de auto-proteção e de proteção comunitária, essas recomendadas pela ONU, devem ser verificadas com mais atenção pelas pessoas que transitam ou que residem na áreas de risco”.

A própria prefeitura reconhece que o sistema de drenagem da cidade, em determinadas vias, não consegue captar e transportar toda vazão de cheia de chuvas intensas. Isso seria resultado da expansão da malha urbana ocorrida nas últimas décadas, atrelado a um crescente processo de impermeabilização dos terrenos. 

Em nota, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que, diante deste cenário, “nos últimos anos vem executando em todo o município intervenções de prevenção e combate a inundações, totalizando um montante da ordem de R$ 1,29 bilhões, além de ter previstos R$ 1 bilhão, para execução de outros empreendimentos”.