OURO PRETO – O cineasta Luiz Carlos Lacerda brinca que foi “uma mulher de longe” que o aproximou de Lúcio Cardoso, referindo-se ao filme inacabado – “A Mulher de Longe” – dirigido pelo escritor mineiro, em 1949, cujas imagens estão sendo pela primeira vez apresentadas no documentário homônimo de Lacerda.

Um dos destaques da programação da 7ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), exibida na noite do último sábado (23), no Cine Vila Rica, a produção revela um lado pouco conhecido da obra de Cardoso, no ano que é lembrado seu centenário.

A dor e aventura de sair de uma criação solitária como a literatura, na qual se tornou referência na corrente psicológica, para investir no cinema, são contadas de forma poética por Lacerda, a partir da descoberta, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, de 11 minutos do material bruto. “A gente sempre falava do filme lá em casa, já que o meu pai, João Tinoco, foi quem o produziu. Quando fui apresentado a ele (Lúcio Cardoso), ainda garoto, foi isso que nos trouxe para perto”, observa Lacerda, que foi amante do escritor, falecido em 1968.