Mais de cinco milhões de pessoas já são diretamente afetadas pelas mudanças do clima – número equivalente a mais de 25% da população no Estado. É o que mostra o Índice Mineiro de Vulnerabilidade Climática (IMVC), lançado nessa quarta (21) pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). O estudo aponta que mais da metade dos 853 municípios têm baixa capacidade de se adaptar às alterações do clima e seus efeitos, 78% têm alta sensibilidade a essas mudanças climáticas e 15% estão em áreas de vulnerabilidade extrema.

O índice aponta os municípios do semiárido – compreendendo as regiões Norte (Vale do São Francisco) e Nordeste (vales do Jequitinhonha e Mucuri) – como os mais prejudicados e impactados pelas alterações do clima.

“Essas regiões têm situações geográfica e climática mais agressivas. O clima é seco, a malha hídrica menos significativa, a renda per capta e os investimentos públicos e privados são os mais baixos”, destaca o presidente da Feam, Diogo Melo Franco.

 

Metodologia

O IMVC foi construído a partir da adaptação da metodologia indicada pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC, do inglês Intergovernmental Panel on Climate Change). O índice foi desenvolvido pela Feam em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), por meio de termo de cooperação técnica assinado com essa entidade. A ferramenta permite avaliar o nível no qual os municípios de Minas Gerais são suscetíveis ou incapazes de lidar com os efeitos negativos das mudanças do clima.

Segundo os técnicos da Feam, o IMVC é um instrumento prático para avaliar impactos do clima nos municípios e permitir um avanço efetivo no combate aos efeitos das mudanças climáticas.

A ferramenta ajuda a prever os riscos gerados pela vulnerabilidade a essas mudanças climáticas às quais os municípios do Estado estão expostos e fornecer subsídios para o planejamento de ações.

 

Ações

“A avaliação da vulnerabilidade às alterações climáticas, no âmbito municipal, subsidia os gestores públicos e tomadores de decisão na identificação de fragilidades e auxilia na formulação de estratégias de adaptação como resposta aos impactos observados sobre a população, a economia e o meio ambiente”, explica o gerente de Energia e Mudanças Climáticas da Feam, Felipe Nunes.

O gerente destaca, ainda, que a partir do IMVC, o Estado de Minas Gerais e os municípios podem definir metas de redução da vulnerabilidade territorial e monitorar o impacto das políticas públicas para adaptação às mudanças climáticas.

 

Financiamento

Também foi divulgado edital do Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais, que abre crédito de R$ 50 milhões para projetos de infraestrutura nos municípios, voltados às questões climáticas e à universalização de serviços básicos.

A verba poderá financiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas a serem desenvolvidas pelo poder público em colaboração com a sociedade civil.

Um dos critérios a ser usado pelo BDMG para analisar as solicitações de financiamento dos municípios são as informações disponibilizadas no IMVC.

 

Índice será atualizado a cada três anos, subsidiando ações para reduzir impactos do clima

O IMVC será atualizado pela Feam a cada três anos, garante o presidente do órgão, Diogo Melo Franco. A ferramenta possibilitará ao Estado se articular para prover soluções conjuntas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

A fundação ainda coordena o Plano Mineiro de Mudanças Climáticas, que prevê 70 ações nesse sentido. “Caso sejam aplicadas, essas medidas vão significar uma redução de 25% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Estado, num prazo de 20 anos”, aposta o gestor.

Uma das principais ações previstas no plano, destaca Diogo, é o investimento em infraestrutura natural, ou seja, a recuperação e a manutenção de áreas verdes e a recuperação de pastos degradados – um grande emissor de GEE. Isso tudo permite a melhora da qualidade do solo e da água no Estado.

“A Feam vai coordenar essas ações, calculando tecnicamente e indicando quais as áreas prioritárias, mostrando o ganho efetivo que a sociedade vai ter, inclusive o produtor rural, que vai lucrar com um solo melhor para ele plantar. Uma variável temática ambiental aliada a um movimento mundial para reduzir as emissões. A parte florestal vai entrar forte nisso”, resume Franco.

Ele destacou que a grande parte das ações, em adaptação e mitigação dos impactos, recupera pastagens degradadas e valoriza a agricultura de menor impacto ambiental, que gera mais valor agregado.

“Tem ainda a gestão de resíduos, gerando renda para a população e aumentando a vida útil dos aterros sanitários. São ações que vão gerar ganhos ambiental e climático efetivos”, diz.