Para reverter a impressão negativa em relação aos taxistas de Belo Horizonte, onde quase 60% das reclamações de usuários se referem ao mau comportamento dos motoristas, o sindicato da categoria pretende lançar um aplicativo de avaliação das viagens. Com as notas, soluções podem ser pensadas para reduzir as queixas e, assim, fazer frente à forte concorrência do Uber.
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), Ricardo Faedda, a entidade está aberta à criação do aplicativo, mas lembra que só a prefeitura pode penalizar o motorista. “Já temos a parceria com o aplicativo 99Táxi, que já tem esse recurso. Poderíamos expandir”, afirma.
 
O presidente do sindicato diz que os passageiros de táxis que migraram para o Uber foram seduzidos por uma falsa promessa. "O Uber, quando propos operacionalizar em BH, como faz em todo o mundo, ela chega a se estabelecer, com veículos de luxo. Após conquistar a opinião da classe A, lançou o Uber X, mais popular, com veículos médios, sedans, a partir de 2008. Ou seja, todo critério que ela construiu caiu", afirmou.
 
Entre janeiro e junho, a BHTrans recebeu 596 reclamações contra taxistas, mas o número real pode ser maior, já que muitos usuários não formalizam a queixa. Segundo a BHTrans, as reclamações geram uma convocação do taxista à empresa. Dependendo do resultado da apuração da falta, da gravidade e o prontuário do taxista, o motorista pode levar multas, advertências, responder um processo administrativo e até perda da permissão de trabalho.
 
No período de 2012 a 2015, foram instaurados 420 processos administrativos. Desses, 274 foram transitados em julgado, ou seja, foram encerrados. Os réus desses últimos processos foram absolvidos, foram suspensos ou tiveram que pagar alguma multa pecuniária. Não foi informado o resultado dos casos concluídos.
 
Conforme informações do Diário Oficial do Município (DOM), neste ano, a autarquia aplicou 3.893 multas em táxis por razões diversas, como aguardar passageiro em local proibido ou operação em veículo em má conservação. A média é de 16 autuações por dia em BH. Além disso, foram advertidos 215 motoristas e abertos 39 processos administrativos.
 
A maior parte das multas foi por aguardar o usuário em área de estacionamento proibido ou desrespeitando a regulamentação da via. Essa infração totalizou 2.542 autuações. Já operar ou permitir a operação com veículo em má condição de conservação resultou em 449 multas.
 
Outros tipos de infração, que não deveriam ocorrer por motoristas profissionais também foram registradas. Dentre as multas, 33 foram por falta de decoro ou ética no serviço, outras 49 autuações por dirigir oferecendo risco a passageiros ou no trânsito e quatro por cobrar bandeira 2 fora do prazo legal.
 
O presidente do Sincavir, Ricardo Faedda, ressalta que todo passageiro que deve reclamar para a BHTrans sobre insastifação com o serviço. "No táxi, o usuário tem onde recorrer, mas no Uber, ele não tem esse recurso, pois é uma empresa privada", afirma. "O táxi de BH é considerado referência na América Latina. Nossa frota tem idade média de 2 anos e meio. A reflexão que peço à sociedade é que o táxi segue uma regulamentação e atender em tempo integral. Já o Uber não. Se o aplicativo for autorizado, da forma como é, vai sucatear o sistema e causar um desequilibrio até no transporte coletivo de pessoas", pontua Faedda.
 
Na capital mineira, os motoristas de táxi são obrigados a fazer um curso de 50 horas de reciclagem a cada 5 anos. As aulas, realizadas em parceria com o Sest/Senat, abordam temas como relações interpessoais, mobilidade, segurança no trânsito e primeiros socorros.
 
Enquete
 
A falta de “tato” de alguns taxistas motiva passageiros a migrar para o Uber. Uma enquete feita na internet pelo Hoje em Dia, com 357 participações, apontou que 48% preferem o aplicativo devido ao tratamento dos motoristas. Já 24% apontaram o preço, 19% o diferencial do veículo e 10% o tempo de atendimento.
 
Um exemplo dessa migração é a estilista Maitê Vasconcelos, de 24 anos. Ela presenciou uma briga entre o motorista do táxi onde estava e um motociclista, em 28 de agosto, no bairro de Lourdes, na zona Sul. O caso teve direito a perseguição e xingamentos. “O motoqueiro fechou o taxista, que começou a correr, cortar carros até alcançar o motoqueiro. Eles comaçaram a discutir. Só não acabou em briga porque motoqueiro alertou que o outro estava com passageiro e depois foi embora. O taxista nem ligou se eu estava no carro”. Ela ainda relatou outras experiências ruins, como grosseria e mudança de itinerário.
 
Segundo a BHTrans, o usuário de táxi pode registrar sua reclamação no site da autarquia, presencialmente na Avenida Carlos Goulart, 900, pelo telefone 156 ou no BH Resolve, na Rua Santos Dumont, 363. Ao todo, a capital mineira conta com 6.932 táxis, com 6.227 permissionários e 6.165 auxiliares, que realizam uma média de 13,2 viagens por  dia.
 
Em nota, a autarquia ressalta que "sempre procura implementar formas de aferir a qualidade da prestação de serviço do transporte público (ônibus, táxi e escolar) e aprimorá-la, para que o usuário seja atendido com qualidade e segurança".
 
Regulamentação
 
Membros de uma comissão especial para debater o Uber em Belo Horizonte voltaram a se reunir nesta sexta-feira (4), na sede da BHTrans. Representantes da prefeitura da capital, dos taxistas, e dos aplicativos Uber e 99Táxi fizeram propostas sobre o que deve ser feito para resolver o conflito existente devido as novas tecnologias.

Está foi a penúltima reunião da comissão. O último encontro está agendado para a próxima quarta-feira (9). Segundo o vereador Preto (DEM), diversas propostas serão incluídas em um documento a ser apresentado para o prefeito Marcio Lacerda. Entre as sugestões estão a proibição total do Uber, a regulamentação do aplicativo e também a inclusão da tecnologia no atual sistema de táxi de BH.

Após a entrega do documento para o prefeito, vai ficar a cargo de Lacerda o futuro do Uber e outros aplicativos de transporte remunerado de passageiros na capital.

“A maioria dos representantes do grupo quer que os aplicativos sejam explorados e incluídos dentro do sistema de táxi de BH. Dessa forma, o Uber não seria proibido e a frota seria expandida, mas os aplicativos teriam que se submeter às regras do serviço. Não acho que vai haver um consenso entre as partes na próxima reunião”, afirmou.

Ministério Público

O vereador Pablito (PSDB), autor de um Projeto de Lei que propõe regulamentar o Uber em BH, se reuniu nesta sexta com o promotor de Justiça do MPMG Geraldo Ferreira da Silva, que move um inquérito sobre o aplicativo e também sobre a atuação de taxistas na capital mineira.

“O posicionamento do promotor é para a regulamentação. Pelo discurso que ele fez, existe uma lei federal que trata sobre o transporte de passageiro privado. O que falta é uma regulamentação, ou seja, o Uber não é clandestino ou ilegal e isso os taxistas precisam entender”, afirmou Pablito.

O vereador adiantou que vai pedir uma reunião com o residente da BHTrans, Ramon Victor Cezar, punições para taxistas que entrem em luta corporal com passageiros ou outros motoristas na rua, além, provocarem danos em carros de terceiros. Atualmente, a regulamentação para o táxi em BH aborda apenas agressão contra fiscais do transporte público da capital. “Esses que agredi