Um dos únicos trechos da BR-381 que está com obras em andamento enfrenta um entrave que causou a dispensa de 13% dos funcionários contratados para o trabalho de duplicação entre Caeté e o trevo de Itabira. A intervenção no Lote 7, feita pelo consórcio Brasil/Mota/Engesur, foi afetada pela falta de licenças ambientais, que impede a abertura de novas frentes de trabalho no trecho.

Nenhum representante da Construtora Brasil quis se pronunciar sobre a dispensa, nesta semana, de mais de 80 dos cerca de 600 funcionários que atuam na duplicação da BR-381.

Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que “no Lote 7 houve uma redução – programada e prevista no cronograma de obras – no quadro de pessoas em apenas duas frentes de trabalho”. De acordo com o Dnit, as licenças ambientais são processos complexos, que podem sofrer atrasos.

Divergência

A justificativa do órgão, entretanto, não bate com a versão dos fatos sustentada pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), responsável pela emissão das licenças.

Em nota, o Sisema informou que “todos os lotes desse licenciamento foram aprovados e estão devidamente acompanhados pela Superintendência de Regularização Ambiental Leste (Supram Leste)”. A aprovação, segundo o governo estadual, ocorreu em fevereiro de 2014.

Apesar de não ficar claro o motivo, além da redução no número de funcionários, contratos com empresas terceirizadas que executam o trabalho de duplicação na rodovia também deixaram de ser renovados. É o caso da Serra da Moeda Terraplenagem e Transportes Ltda, que interrompeu o fornecimento de equipamento e maquinário para a obra gerida pela Construtora Brasil.

“Tínhamos um contrato de 90 dias que chegou ao fim. Havia a expectativa de renovação, já que o trabalho ainda não foi finalizado no trecho”, relatou o proprietário da empresa, Emerson Apolinário Maia. O maquinário locado pela Serra da Moeda auxiliava no trabalho de terraplenagem e drenagem, que tiveram frentes de serviço cortadas.

A reportagem do Hoje em Dia esteve no local da obra e constatou a apreensão dos trabalhadores com relação às dispensas. Apesar dos cortes, a atividade de operários e máquinas ainda é bem visível ao longo do trecho de responsabilidade do consórcio – de Caeté ao trevo de Itabira.

Atrasos

Apesar dos percalços, o Dnit sustenta que não deve haver impacto no prazo previsto para conclusão da obra – meados de 2017. “É importante ressaltar que isso não implica em atrasos, pois existem várias frentes de obras no Lote 7 e o cronograma pode ser readaptado, impondo mais ritmo em um determinado serviço, por exemplo. Em diversos pontos do Lote 7 existe trabalho de terraplenagem e drenagem”, alegou o Dnit.

Além do imbróglio no Lote 7, outros seis trechos de duplicação estão parados. Os lotes 1 e 2 estão sem definição para continuidade dos trabalhos por parte da Isolux Corsán, que já devolveu o lote 3.1. Nos trechos que compreendem os lotes 4, 5 e 6, também da Isolux, as obras sequer começaram. Ainda não é certo que a empresa vá continuar com a obra nesses locais.


2,04 bilhões de reais É o valor correspondente a nove lotes de duplicação da BR-381, licitados pelo Dnit em 2012