As denúncias envolvendo possíveis casos de tráfico de drogas, furtos, iluminação precária e assédios sexuais, que levaram à suspensão das aulas do curso de história na UFMG, lançam alerta para a falta de segurança em outras universidades públicas de Minas Gerais.

Professores, alunos e entidades de classe reforçam que os problemas no interior das instituições são recorrentes. Uma série de reivindicações tem sido feita às reitorias, porém, a maioria desaprova a presença da Polícia Militar (PM) nos campus.

Na unidade Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro, o uso de drogas acontece sem o menor constrangimento próximo aos blocos 1H e 1W, em uma área conhecida como Jambolão. No ano passado, um traficante foi detido pela PM no local. Outras dificuldades recorrentes são furtos de bicicletas e arrombamentos de carros.

“A iluminação é muito precária e os vigilantes não estão preparados para fazer uma abordagem mais humanitária junto aos alunos”, conta um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Paulo Fernando Corrêa de Souza. “O debate sobre segurança tem que ser contínuo. Porém, de imediato, a polícia poderia reforçar o patrulhamento na área externa da universidade. Reflexos positivos seriam percebidos no interior da instituição”, acredita.

Na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), região Central de Minas, a sensação de insegurança tem motivado reuniões do Conselho Deliberativo das Entidades de Base, formado pelo DCE, centros acadêmicos (CAs) e diretórios acadêmicos (DAs).

De acordo com Diego Augusto Lima Nogueira, aluno do 7° período de turismo, as reivindicações já foram repassadas à direção da Ufop. “Faltam câmeras de segurança e a iluminação é muito ruim. Casos de mochilas roubadas são comuns”, afirma ele, que é o coordenador geral do DCE da instituição.

São João

O atual sistema de monitoramento no interior da universidade também é alvo de reclamação em São João del-Rei, no Campo das Vertentes. Lá, a instituição federal (UFSJ) sofre com o uso de drogas e atuação da guarda patrimonial.

“Alunos fumam maconha livremente na unidade Tancredo Neves. Além disso, os vigias são extremamente despreparados. Há pouco mais de dois anos tivemos casos de estupro no interior e no entorno do campus. Prometeram mudanças, mas foram poucas”, destaca um professor que preferiu não se identificar.

A instituição está implantando um sistema inteligente de segurança eletrônica. Atualmente, a unidade Tancredo Neves conta com mais de 20 aparelhos de alta resolução e captação de imagem noturna. O projeto prevê a extensão do circuito às cinco demais unidades.

Em nota, a assessoria de imprensa da UFSJ informou que a polícia faz rondas rotineiras e que os vigilantes estão orientados a lidar com qualquer situação suspeita. Os funcionários, segundo a instituição, estão em contínua reciclagem.

Na UFU, um projeto de videomonitoramento estaria em fase de implantação. Outra ação prevista para este ano é a vigilância motorizada, na qual haverá patrulhamento de motocicletas nas dependências. Sobre a iluminação, foi informado que, devido a obras, algumas áreas ficaram prejudicadas. O problema será corrigido, mas o prazo não foi informado.

Seminários

Já a Ufop informou que trata o assunto com “muita cautela”, conforme nota enviada. “Temos vigias armados, contratados por empresa terceirizada por processo de licitação. O controle de acesso aos prédios também é feito por empresas terceirizadas, com porteiros”. 

Atualmente, a instituição está em processo de ampliação do número de câmeras tanto nas áreas externas como internas. Uma campanha de conscientização e um seminário de segurança serão organizados para tratar dos assuntos relatados por alunos e professores.