A greve de servidores federais já atinge outra esfera, além da educação e da segurança. Os hospitais começam a sofrer com o desabastecimento de remédios e insumos por causa da paralisação de funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

 
Em Minas Gerais, o Instituto Mário Pena, responsável pelos hospitais Luxemburgo e Mário Pena, já registra impactos financeiros atribuídos à greve. 
 
Medicamentos para tratamento do câncer e diabetes, além de insumos médicos, estão em falta. “Estamos comprando produtos mais caros, porque há desabastecimento também no mercado. Quando achamos os medicamentos, em geral, pagamos duas vezes ou mais do que o valor que era praticado”, diz o superintendente financeiro do instituto, Antônio Carlos Rezende. 
 
O recurso que deveria ser gasto com outras demandas do hospital está sendo direcionado para esse fim, na tentativa de evitar que o paciente seja prejudicado. 
 
“Não dá para precisar até quando vamos conseguir levar a situação. A certeza que temos é a de que, a cada dia de greve, o risco de desabastecimento cresce”, afirma.
 
Os funcionários da Anvisa, em greve desde 16 de julho, são responsáveis pelo passo a passo da importação e liberação de remédios nos portos e aeroportos brasileiros. Com esse serviço comprometido, os hospitais começam a temer pelo pior.
 
Risco
 
Pacientes atendidos pelo Instituto Mário Pena, que realiza mais de um milhão de procedimentos por mês, podem vir a ser atingidos no futuro, caso a paralisação perdure.
 
“Outras unidades de saúde fora de Minas já começaram a reduzir a dose dos medicamentos e a repensar os tratamentos. Aqui conseguimos manter, mas não sabemos até quando”, alega o superintendente dos hospitais, que são referência em tratamento de câncer.
 
Para tentar chegar a um consenso, representantes do sindicato dos grevistas se reúnem hoje com o governo, no Ministério do Planejamento. A União oferece para a categoria 15,8% de aumento em três anos, a partir de 2013. 
 
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