Integrantes de 12 ocupações urbanas da Região Metropolitana de Belo Horizonte fizeram marcha em diversas vias da capital, na manhã desta terça-feira (2). Os manifestantes seguiram em direção à Cidade Administrativa, onde fecharam a MG-010 para chamar atenção das autoridades contra ordens de despejos expedidas pelo poder judiciário. A intenção, conforme nota assinada pelos organizadores do movimento, é que nenhuma famílias sejam removidas pelo menos até 31 de dezembro deste ano.
 
"Em Belo Horizonte e RMBH, 25 mil famílias residem em ocupações urbanas sob a insegurança da posse com a possibilidade de serem surpreendidas com a tentativa de demolição de suas casas a qualquer tempo", diz trecho do documento.
 
"Foram famílias de 8 ocupações do bairro Cachoeirinha em Belo Horizonte, de Santa Maria, em Vespasiano, de Ribeirão das Neves, de Betim e Esmeraldas e ainda outros, que foram  jogadas nas ruas, sem qualquer aviso prévio por parte das autoridades e sem nenhum alternativa de moradia, nem bolsa aluguel, nem projetos de reassentamento ou mesmo abrigos! Famílias inteiras, com crianças, idosos, deficientes físicos e até mulheres grávidas tiveram seus direitos e dignidade fortemente pisoteados, sendo relegados para a condição de sub-cidadania", prosseguiu.
 
Ainda conforme a nota, o governador do Estado, seus secretários e comandantes da Polícia Militar consentiram que tais operações fossem realizadas. Por meio de nota, o Governo de Minas informou que o Estado não é autor de nenhuma das ações de reintegração de posse das áreas apontadas pelos manifestantes. Os processos envolvem o Governo Federal e as prefeituras, e os despejos são determinados pelo Poder Judiciário. 
 
"Independentemente disso, representantes das Secretarias de Estado de Defesa Social, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Regional e Política Urbana, da Advocacia Geral do Estado, Defensoria Pública e Polícia Militar se reuniram por várias vezes com representantes das ocupações no intuito de colaborar com as negociações e para que houvesse uma solução pacífica sobre as áreas invadidas da Região Metropolitana de Belo Horizonte", esclareceu.
 
Informou, ainda, que a PM apenas cumpre o papel constitucional de dar suporte e segurança a qualquer operação de reintegração de posse determinada pela Justiça.