A Polícia Civil ouviu, nesta segunda-feira (3), o engenheiro civil responsável por fazer os cálculos do projeto executivo do viaduto 'Batalha dos Guararapes'. Rodrigo de Souza Silva é engenheiro da Consol, empresa contratada para fazer o projeto do elevado. A estrutura desabou em 3 de julho,  na avenida Pedro I, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, deixando dois mortos e 23 feridos.
 
De acordo com o diretor-presidente da Consol, Maurício de Lana, durante o depoimento, o engenheiro explicou quais cálculos realizou para montar o projeto.  “O nosso projeto não foi executado conforme o original. Então, não concordamos com a conclusão da perícia que aponta falha no projeto. Na realidade, houve falhas na execução do projeto”, afirmou Lana.
 
O depoimento do engenheiro da Consol integra o inquérito policial aberto para investigar o acidente. Conforme o laudo da Polícia Civil, a tragédia ocorreu devido a falhas de execução do projeto e, por isso, é necessário esclarecimentos e informações técnicas complementares para prosseguir na apuração dos responsáveis pelo desabamento. Os representantes da construtora Cowan também deverão ser ouvidos. 
 
Laudo da Consol
 
A Consol afirmou, em 29 de agosto, que o seu projeto original para a construção do viaduto “Batalha dos Guararapes”, na avenida Pedro I, não foi executado. A empresa alegou ainda que não acompanhou a execução da obra do elevado, pois o contrato firmado com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) foi encerrado em março de 2013. As afirmações foram feitas um dia depois da divulgação de parte do laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, que apontou que houve erros de cálculo dos materiais usados no viaduto. O projeto foi executado pela construtora Cowan. 
 
Em nota enviada à imprensa, a consultora Consol listou algumas das alterações realizadas durante as obras e que não estariam previstas no projeto. De acordo com a empresa, foram feitas mais de 40 aberturas (janelas) na laje superior da estrutura, sendo que algumas com dimensões superiores a 2 metros de largura. A Consol alegou que o projeto previa apenas duas aberturas com dimensões de 0,60 x 0,60 metros na laje inferior. A consultora disse que o sistema de protensão (técnica que objetiva aumentar a resistência das estruturas) utilizado não foi o indicado no projeto e reforçou que a protensão não poderia ser executada com essas mais de 40 janelas abertas.
 
Além disso, a empresa explica que os aparelhos de apoio usados não são os indicados e que as cunhas de nivelamento para os apoios não foram construídas conforme o projeto. Por fim, a Consol relata que foram construídas vigas e paredes transversais dentro da estrutura que também não estavam indicadas em seu projeto.
 
“A Consol novamente contesta o laudo apresentado pela Cowan, de autoria do engenheiro Catão Francisco Ribeiro, inclusive por não conter uma análise completa da estrutura. Está escrito literalmente nas suas conclusões: 'não foi escopo deste relatório a análise de outros apoios, assim como a superestrutura que contempla os tabuleiros do Viaduto de Acesso, do Viaduto Principal e do Ramo Norte'”, diz a nota da consultora.
 
Para a Consol, houve a retirada forçada do escoramento com as janelas abertas. “Tal procedimento é totalmente inadequado e imprudente. Cumpre destacar que medidas de simples precauções e recomendadas pela boa técnica deveriam ter sido observadas. A interrupção do tráfego durante a retirada do escoramento teria sido suficiente para eliminar o risco de morte e feridos”, afirma a consultora.
 
 
Laudo da Polícia Civil
 
A redução na quantidade de materiais utilizada na construção do viaduto “Batalha dos Guararapes" foi uma das causas que levou o elevado a desabar, na avenida Pedro I. A conclusão consta no laudo técnico do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, que aponta que houve erros de cálculo dos materiais usados no viaduto. A informação foi confirmada na tarde de 28 de agosto pela Polícia Civil.
 
Segundo a Polícia Civil (PC), o laudo aponta também problemas referentes ao tamanho dos blocos da estrutura. Já a análise do terreno no entorno do pilar que cedeu não mostra causalidade entre o solo e a queda da estrutura.
 
 Laudo da Cowan
 
A construtora Cowan já tinha apresentado, em 22 de julho, um laudo pericial sobre o projeto do viaduto “Batalha dos Guararapes”. O documento mostra conclusões semelhantes ao do laudo que será entregue pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil. 
 
Na ocasião, a empresa informou que foram detectadas falhas de concepção do projeto executivo feito pela Consol, o que provocou a queda do ramo sul do viaduto. O documento do projeto avaliado pela construtora foi fornecido pela Sudecap.
 
A construtora Cowan informou que um erro de planejamento do projeto executivo, que apontava a quantidade de aço que deveria sustentar o pilar do viaduto, foi a principal causa do desabamento. Com o erro, um dos pilares afundou, provocando a tragédia. Segundo a Cowan, foi usado apenas um décimo do aço necessário para a construção do bloco de um dos pilares de sustentação do viaduto.