Apontada como uma atividade que deve ser iniciada logo na infância, o balé clássico é um sonho que muitas meninas, hoje adultas, não conseguiram realizar. Para sorte delas, escolas de dança de Belo Horizonte têm quebrado a regra oferecendo aulas específicas para adultos. Uma oportunidade para aprender a dançar e, de quebra, tornear o corpo. 

As aulas são oferecidas, normalmente, à noite, duas vezes por semana, com duração de uma hora. A prática melhora a postura, desenvolve a flexibilidade, a coordenação motora, memória e favorece o ganho de massa magra, principalmente nas pernas e no abdômen. A modalidade ainda alivia o estresse do dia a dia. As bailarinas ‘maduras’ ainda têm oportunidade de subir ao palco nas apresentações artísticas e competições.

Proprietária do Studio It, no bairro Serra, zona Sul de BH, Elaine Reis oferece aulas para adultos iniciantes e também para quem já dançou e resolveu retornar.

“Às vezes, é por um sonho não realizado ou porque quer fazer uma atividade física e não gosta de academia. Tem gente de todas as idades iniciando no balé. A idade, na verdade, não importa. O que vale mesmo é a vontade de dançar”, destaca.

A professora de balé Beatriz Pinto Coelho explica a diferença de foco de quem inicia a atividade quando adulto: “Quando criança, o objetivo é a formação do bailarino. Já adulto, a modalidade é voltada para o prazer pessoal”.

Quem pretende aderir à prática deve ficar atento aos limites do próprio corpo. “Todo mundo pode começar, mas é preciso fazer dentro da sua capacidade para se sentir bem”, aponta a professora.

SUPERAÇÃO

A engenheira civil Danielle de Souza Lélis Peixoto, de 41 anos, começou no balé no início deste ano no Harmonia Studio de Dança, no bairro Cidade Nova, região Leste da capital.

“Soube por meio de uma amiga que já dançava e estranhei a ideia de balé para adultos. Depois, assisti uma apresentação e adorei”.

Ela conta que amenizou dores na coluna com a modalidade e que superou obstáculos. “Colocar uma perna na barra ou fazer uma pirueta são coisas que eu não imaginava que conseguiria. É um trabalho de corpo e mente”. A filha de Danielle, Mariana, de 8 anos, dança balé na mesma escola.

A professora de teatro Juliana Lemos, de 28 anos, procurou a modalidade como complemento para a formação. “Acredito que o balé irá me trazer uma consciência corporal e novas possibilidades de expressão”, afirmou.

Quem inicia a prática deve estar preparado para o desafio. A ideia de uma “leveza” no balé é apenas para os espectadores, e não para as alunas. “O corpo dói. A coordenação e concentração são bastante exigidas”, completou Juliana.