Para garantir a segurança dos pedestres e reduzir os atropelamentos é necessário mais do que campanhas educativas, como as iniciadas nessa quinta-feira (18) com a abertura da Semana Nacional do Trânsito. Órgãos gestores de trânsito não dispõem de mapeamento atualizado de acidentes, fundamentais para orientar as ações de fiscalização, educação e prevenção. Em Belo Horizonte, por exemplo, a BHTrans trabalha com uma base de dados com dois anos de defasagem. Para especialistas, além de não conscientizar motoristas e pedestres a respeitarem a legislação, os estudos atrasados são prejudiciais à melhoria viária.

Para o professor do Departamento de Engenharia de Trânsito e Transporte da Universidade Fumec, Márcio Aguiar, o atraso tolerável é de no máximo três meses. “É necessário um acompanhamento diário e preciso. O mapeamento é um procedimento importante. Sem ele, não há como apurar as causas dos acidentes e resolver as deficiências”, explicou.

“O mapeamento serve para apontar pontos críticos e para que os órgãos públicos adotem medidas de proteção como, por exemplo, instalação de faixas de pedestres, de semáforos ou melhorem a sinalização”, completou o professor Nilson Tavares Nunes, do Departamento de Engenharia e Transporte da UFMG.

ATRASO

O mapeamento mais recente de acidentes na capital é de 2012, quando foram registrados 2.559 atropelamentos, dos quais 77 mortes. Sempre com pelo menos um ano de atraso, o levantamento é feito pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) e repassado à BHTrans. Os números de 2013 só serão compilados no final deste ano.
 
A assessoria de imprensa da BHTrans informou que o órgão não realiza estudo próprio, já que não possui jurisdição para a coleta dos dados, que é feita pelas polícias Civil, Militar e Guarda Municipal.
 
Já o Detran informou que a demora de divulgação do levantamento é necessária para o cruzamento e checagem das estatísticas, como forma de assegurar a confiabilidade dos números.
 
Os únicos dados atuais de atropelamentos são os do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Em 2013, dos 14 mil atendimentos de acidentes na Grande BH, 2.380 foram atropelamentos. Neste ano, de janeiro a agosto ocorreram 1.530 casos. O hospital não divulgou o número de mortes nesse tipo de acidente.

A BHTrans informou que o número de atropelamentos está em queda desde 1991, quando a taxa para cada grupo de 10 mil veículos era de 95,56, caindo em 2012 para 16,98 para a mesma proporção de carros.
  
Acidentes crescem no final do ano
 
Atropelamentos tendem a ser mais frequentes no segundo semestre. É o que diz o coordenador médico do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, Marcelo Lopes Ribeiro. Segundo ele, as chuvas, o período de férias e de compras, além do maior estresse nessa época contribuem para a maior incidência de acidentes.

Para o analista da Gerência de Educação para o Trânsito da BHTrans, Ronaro Ferreira, a mudança do comportamento de motoristas e pedestres é um trabalho de longo prazo. “É algo cultural e que já está acontecendo. Uma significativa parcela já para na sinalização”, disse.

O administrador Humbero Porto, de 42 anos, confessa ser impaciente quando dirige e critica o o desrespeito de pedestres e motoristas. Ele conta que uma moto já esbarrou nele enquanto atravessava uma via e já presenciou vários outros atropelamentos. “As campanhas de educação precisam ser permanentes”, disse.
 
Rádio 98FM ajuda nas ações
 
A Semana Nacional do Trânsito vai até o dia 25 com diversas ações por toda a cidade, como campanhas e blitze educativas, intervenções de arte-educação, passeios e gincana para ciclistas, mesa- redonda, encontros, palestras, seminários, cinema comentado para alunos e oficinas de formação para professores, entre outras atividades.

Um dos parceiros da realização dos eventos em BH é a Rádio 98 FM. Nessa quinta-feira (18), no Programa Rota 98 , o apresentador Lucas Werneck entrou ao vivo, da Universidade de Medicina da UFMG, com dicas de trânsito e orientações de segurança aos motoristas e pedestres.