Experiência bem-sucedida com ratos leva pesquisadores da PUC Minas a investigar se dois tipos de radiação podem aliviar o sofrimento de quem tem artrose no joelho e até ajudar na regeneração de cartilagens. Levantamento com 150 pacientes mostra que 80% daqueles tratados com laser de baixa potência e 100% dos submetidos à terapia com ondas curtas viram a dor diminuir. Os resultados – preliminares, devido ao tamanho da amostragem – serão apresentados em um congresso no Canadá, este mês.

Também conhecida como osteoartrite, a artrose é um tipo de reumatismo e leva à destruição progressiva das cartilagens que separam um osso do outro. Sem essa “proteção”, eles podem até se tocar, e mesmo antes dessa fase a pessoa sofre com dores e limitação dos movimentos. Muitas se tornam incapazes de executar atividades corriqueiras, como varrer a casa ou caminhar sem se sentir desconfortável.

A dimensão do problema foi medida pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, que calculou, com base em dados da previdência social, que 7,5% dos afastamentos do trabalho no país são motivados pela artrose. “O impacto na qualidade de vida é muito grande”, diz a fisioterapeuta e doutora em bioengenharia Angélica Rodrigues de Araújo.

Coordenadora do projeto na PUC Minas, ela explica que tanto o laser quanto as ondas curtas são recursos usados, há tempos e com segurança, por fisioterapeutas.

A novidade foi testá-los como aliados contra a artrose. “O projeto começou em 2012, quando estudávamos os benefícios do laser de baixa potência na regeneração da articulação de ratos. Não dá para falar que os resultados positivos obtidos com animais serão os mesmos no homem. Mas é uma luz no fim do túnel”, conta.

Voluntários foram submetidos ao tratamento. Todos receberam a terapia manual, padrão para quem tem a doença, mas um terço passou também por aplicações com o laser, e outro grupo, com ondas curtas.

A reavaliação dos pacientes, após seis semanas, revelou que a severidade da artrose caiu. A conclusão veio a partir de relatos de redução da dor, maior capacidade dos voluntários para dobrar e esticar o joelho e novos exames de raio-X.

LIMITAÇÕES

Como a amostra de pacientes é reduzida, não dá para saber se os métodos funcionariam para todo mundo. O necessário seria testar as radiações em 500 pessoas. Mas o orçamento enxuto para pesquisa limita a mão de obra, pois permite que apenas 12 alunos participem do programa.

A verba curta também pode adiar a certeza, ou o descarte, de que as radiações ajudam a recuperar cartilagens. Há indícios de que isso aconteça, mas a confirmação depende de exames de imagem, como ressonância magnética. “Não temos recursos para isso, ao menos por enquanto”, diz Angélica.

Se a eficácia for comprovada, restará aos pesquisadores descobrir o melhor método – laser ou ondas curtas – e a duração dos benefícios. Até agora, o tratamento também tem como pontos positivos não causar desconforto durante a aplicação nem efeitos colaterais como os medicamentos.