A Consol afirmou, na noite desta sexta-feira (29), que o seu projeto original para a construção do viaduto “Batalha dos Guararapes”, na avenida Pedro I, não foi executado. A empresa alegou ainda que não acompanhou a execução da obra do elevado, pois o contrato firmado com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) foi encerrado em março de 2013. As afirmações foram feitas um dia depois da divulgação de parte do laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, que aponta que houve erros de cálculo dos materiais usados no viaduto. O projeto foi executado pela construtora Cowan. A estrutura caiu em 3 de julho, na avenida Pedro I, região da Pampulha, em Belo Horizonte, deixando dois mortos e 23 feridos. 
 
Em nota enviada à imprensa, a consultora Consol lista algumas das alterações realizadas durante as obras e que não estariam previstas no projeto. De acordo com a empresa, foram feitas mais de 40 aberturas (janelas) na laje superior da estrutura, sendo que algumas com dimensões superiores a 2 metros de largura. A Consol alegou que o projeto previa apenas duas aberturas com dimensões de 0,60 x 0,60 metros na laje inferior. A consultora disse que o sistema de protensão (técnica que objetiva aumentar a resistência das estruturas) utilizado não foi o indicado no projeto e reforçou que a protensão não poderia ser executada com essas mais de 40 janelas abertas.
 
Além disso, a empresa explica que os aparelhos de apoio usados não são os indicados e que as cunhas de nivelamento para os apoios não foram construídas conforme o projeto. Por fim, a Consol relata que foram construídas vigas e paredes transversais dentro da estrutura que também não estavam indicadas em seu projeto.
 
“A Consol novamente contesta o laudo apresentado pela Cowan, de autoria do engenheiro Catão Francisco Ribeiro, inclusive por não conter uma análise completa da estrutura. Está escrito literalmente nas suas conclusões: 'não foi escopo deste relatório a análise de outros apoios, assim como a superestrutura que contempla os tabuleiros do Viaduto de Acesso, do Viaduto Principal e do Ramo Norte'”, diz a nota da consultora.
 
Para a Consol, houve a retirada forçada do escoramento com as janelas abertas. “Tal procedimento é totalmente inadequado e imprudente. Cumpre destacar que medidas de simples precauções e recomendadas pela boa técnica deveriam ter sido observadas. A interrupção do tráfego durante a retirada do escoramento teria sido suficiente para eliminar o risco de morte e feridos”, afirma a consultora.
 
A reportagem do Hoje em Dia tentou entrar em contado com a Cowan, mas nenhuma das chamadas foi atendida. 
 
 
Laudo da Polícia Civil
 
A redução na quantidade de materiais utilizada na construção do viaduto “Batalha dos Guararapes" foi uma das causas que levou o elevado a desabar, na avenida Pedro I, região da Pampulha, em 3 de julho. A conclusão consta no laudo técnico do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, que aponta que houve erros de cálculo dos materiais usados no viaduto. A informação foi confirmada na tarde dessa quinta-feira (28) pela Polícia Civil. O laudo, porém, somente será entregue ao delegado Hugo e Silva, responsável por apurar o caso, em 3 de setembro.
 
Segundo a Polícia Civil (PC), o laudo, que está em fase final de elaboração, aponta também problemas referentes ao tamanho dos blocos da estrutura. Já a análise do terreno no entorno do pilar que cedeu não mostra causalidade entre o solo e a queda da estrutura.
 
Após receber o laudo, o delegado Hugo e Silva deverá avaliar se há necessidade de solicitar esclarecimentos ou informações técnicas complementares para prosseguir na apuração dos responsáveis pelo desabamento. Conforme informou a PC, na etapa seguinte, representantes da construtora Cowan deverão ser ouvidos. 
 
A PC informou também que o delegado ainda aguarda a resposta da Justiça referente ao pedido de dilação do prazo para a conclusão das investigações. 
  
 
Laudo da Cowan
 
A construtora Cowan já tinha apresentado, em 22 de julho, um laudo pericial sobre o projeto do viaduto “Batalha dos Guararapes”. O documento mostra conclusões semelhantes ao do laudo que será entregue pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil. 
 
Na ocasião, a empresa informou que foram detectadas falhas de concepção do projeto executivo feito pela Consol, o que provocou a queda do ramo sul do viaduto. O documento do projeto avaliado pela construtora foi fornecido pela Sudecap.
 
A construtora Cowan informou que um erro de planejamento do projeto executivo, que apontava a quantidade de aço que deveria sustentar o pilar do viaduto, foi a principal causa do desabamento. Com o erro, um dos pilares afundou, provocando a tragédia. Segundo a Cowan, foi usado apenas um décimo do aço necessário para a construção do bloco de um dos pilares de sustentação do viaduto.
 

Assista ao vídeo da Cowan que mostra como foi processo de construção do viaduto:

Veja a animação de como se deu a ruptura e queda da estrutura na Pedro I:

Confira a galeria de fotos da tragédia: