O traçado original de Belo Horizonte, dentro da avenida do Contorno, projetado no final do século XVIII pelo engenheiro Aarão Reis, está muito próximo de ganhar uma proteção para não ser descaracterizado, como já ocorreu várias vezes ao longo dos 116 anos da capital.

Isso porque uma das propostas da prefeitura na 4ª Conferência Municipal de Política Urbana determina que qualquer modificação no traçado projetado por Aarão Reis seja feita após a aprovação do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município. Apesar de ter que passar pelo Conselho, caso seja aprovada na Conferência, a proposta não pretende tombar as ruas da capital, mas criar um mecanismo de proteção.

Mesmo assim, o desenho do engenheiro estaria um pouco mais protegido. Na prática, desde sua fundação, Belo Horizonte tem sido modificada dentro da área da avenida do Contorno.

Bons olhos

A proposta da prefeitura apresenta como justificativa a preservação do “desenho da zona urbana original da Nova Capital, mediante a proteção do seu traçado e do paisagismo que concede à área identidade como referencial simbólico em função de suas características de ocupação histórico-cultural”.

A prefeitura também propõe “plano de manejo para arborização e incentivo para a manutenção do paisagismo original, além da preservação ou restauração de trechos do calçamento em paralelepípedo e pé-de-moleque existente nas vias”.

O arquiteto Flávio Carsalade, professor da Escola de Arquitetura da UFMG, vê a ideia como bem-vinda, apesar de um pouco tardia. “O traçado já foi muito modificado. Mas vejo a proposta de que o Conselho analise possíveis modificações no traçado como qualificadora. Não é burocracia”, afirmou.

Para a gerente de Informação e Monitoramento da Secretaria Adjunta de Planejamento Urbana, Gisella Lobato, trata-se de uma forma de proteger a origem da capital. “O traçado dentro da avenida do Contorno está sujeito a alterações. Quando você cria a Área de Diretrizes Especiais Contorno, e resguarda o traçado original, intervenções no sistema viário vão ter que passar pelo Patrimônio. Há uma possibilidade efetiva de resguardar esse objeto primeiro de formação do núcleo da nossa cidade”, observou.

A 4ª Conferência Municipal de Política Urbana começou em fevereiro e será encerrada no final de maio. Atualmente, os delegados estão debatendo as propostas que serão votadas nas três plenárias finais, mês que vem.