Apenas um mês após o conjunto modernista da Pampulha se tornar candidato oficial ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) enfrenta os primeiros empecilhos para alcançar o reconhecimento internacional. A requalificação de alguns pontos da orla da lagoa está comprometida porque não houve interessados na licitação que previa obras no local. A notícia foi publicada na última quinta-feira (23) no Diário Oficial do Município (DOM).

Segundo a concorrência, aberta em 20 de dezembro, as empresas deveriam apresentar projetos de melhoria para as praças Aleijadinho, Barragem, Dino Barbiero, Expedicionário Lourival Casemiro Pereira e do Vertedouro.

Sem propostas, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura ainda não tem um “plano B”. Enquanto isso, os problemas no principal cartão-postal da cidade persistem, sem solução à vista.

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No Mirante do Vertedouro, por exemplo, a grama malcuidada e a falta de bancos afastam visitantes. E embora a Praça Dino Barbiero pareça preservada, quem passa por lá diariamente garante que a área carece de intervenções.

“Os canteiros estão sem grama, e as árvores, sem poda. Também é preciso instalar mais lixeiras. No fim de semana, quando o movimento é maior, elas ficam cheias e o lixo acaba no chão”, diz o vendedor de coco Claudiney Maria.

O descuido não incomoda apenas os moradores de BH. O turismo na cidade, que deve ser alavancado este ano em função da Copa, ficará prejudicado, garante Maria Lúcia Oliver, professora de Turismo da PUC Minas.

“A Pampulha é um complexo. Não adianta preservar a Igreja de São Francisco se falta revitalização em outras áreas. As pessoas não estão dispostas a passar por ali para ver um cartão-postal incompleto”.